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Facebook e Google tomam atitudes contra sites de notícias falsas

As empresas anunciaram medidas para proibir o uso de serviços de anúncio por sites de notícias falsas, após a eleição presidencial nos Estados Unidos

Por Da redação - 15 nov 2016, 17h06

As duas maiores empresas de tecnologia do mundo, Google e Facebook, viraram motivo de debate após a eleição presidencial nos Estados Unidos. Ao longo da última semana, as companhias vêm recebendo críticas sobre como a disseminação de notícias falsas em seus sites pode ter influenciado diretamente o resultado das urnas no país.

Na segunda-feira, em resposta a ataques da imprensa americana, os gigantes da tecnologia deixaram claro que não pretendem tolerar informações enganosas. Segundo o Google, a empresa irá banir sites que publicam notícias falsas de usarem seu serviço de anúncios online.

Horas depois da decisão do mecanismo de busca, o Facebook atualizou a política de uso da Audience Network, que regula a publicidade na rede. Os termos já alertavam que a rede social não mostraria anúncios em páginas que oferecem conteúdo ilegal ou enganoso, mas passaram a incluir explicitamente “sites de notícias falsas”.

Em uma crítica do jornal The New York Times ao Facebook, um dos casos lembrados foi uma notícia compartilhada por mais de um milhão de usuários, que anunciava que o Papa teria apoiado Donald Trump, algo que nunca ocorreu. Já o Google foi atacado por permitir a exibição de uma nota que afirmava que o republicano havia vencido as eleições tanto no voto do Colégio Eleitoral quanto no voto popular, usando números falsos. A “notícia” chegou a ocupar o primeiro lugar do mecanismo de busca para “resultado das eleições” nos Estados Unidos.

As medidas tomadas pelos dois grandes nomes da internet são um sinal de que as empresas não podem mais ignorar sua influência poderosa nas opiniões da população. Mark Zuckeberg, CEO do Facebook, se esforçou na última semana para insistir que uma possível influência da rede social no eleitorado americano era “bastante maluca”, mas parece ter, finalmente, levado o tema a sério.

No último domingo, Zuckerberg chegou a publicar um longo texto em sua página no Facebook, onde afirmava que “mais de 99% do que as pessoas veem na rede é autêntico”. “Apenas uma pequena parte é de notícias falsas e boatos. É extremamente improvável que boatos tenham mudado o resultado da eleição em uma direção ou em outra”, escreveu o empresário.

Segundo representantes do Google, a escolha da empresa de dificultar a publicidade em sites com informações falsas não entrou em vigor como reação às eleições, mas estaria em desenvolvimento há algum tempo. A política funcionará através de um sistema automatizado, com ajuda de revisores humanos, para determinar a veracidade das notícias. Uma preocupação da imprensa americana diz respeito a sites de sátira, como o americano The Onion, que segue linha semelhante à do brasileiro Sensacionalista. Apesar de não serem foco das novas regras, não fica claro se tais páginas serão afetadas.

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