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Facebook bane grupos britânicos de extrema direita

Na última semana, o governo do Reino Unido lançou um plano pedindo que a empresa se responsabilizasse pelo conteúdo propagado na plataforma

Por Da Redação - 18 abr 2019, 16h26

O Facebook anunciou nesta quinta-feira, 18, o banimento das contas de diversas organizações e indivíduos ligados à extrema direita do Reino Unido. A punição inclui legendas como o Partido Nacional Britânico (BNP) e o Britain First e o grupo islamofóbico English Defence League (EDL).

A intervenção do Facebook representa uma mudança na antiga política da rede social. Até pouco tempo atrás, a empresa se esquivava da responsabilidade por discursos de ódio propagados em sua plataforma.

Em vigor desde o fim da manhã, a proibição contra os conservadores britânicos não se restringe aos indíviduos e grupos listados: qualquer conteúdo de apoio a eles também será excluído, assim como os usuários que coordenarem ações a seu favor.

A nova manobra é a última em uma série de sanções da rede social contra protagonistas de discursos extremistas conservadores. O primeiro afetado foi o ativista de extrema direita Tommy Robinson, banido do Facebook em fevereiro deste ano.

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No mês seguinte, pouco depois do atentado às mesquitas de Christchurch, na Nova Zelância, a empresa de Mark Zuckerberg passou a condenar todas as postagens com apologia à “supremacia branca” e ao “separatismo branco.”

Segundo o comunicado publicado nesta quinta, doze indivíduos foram banidos do Facebook: o BNP e seu ex-líder, Nick Griffin; o partido Britain First, seu líder Paul Golding e sua ex-vice-líder Jayda Fransen; o EDL e um de seus fundadores, Paul Ray; o grupo virtual Knights Templar International e o ativista de extrema direita Jim Dowson; o partido Frente Nacional Britânica, matriz enfraquecida do BNP, e seu líder Tony Martin; e o ativista de extrema direita Jack Renshaw, o antigo porta-voz da organização neonazista National Action.

Em seu comunicado, o porta-voz da rede afirmou que “indivíduos e organizações que espalham o ódio, atacam ou pedem a exclusão de outros com base em quem eles são, não tem lugar” nos sites da companhia, incluindo o Instagram na decisão.

Segundo o jornal britânico The Guardian, a parlamentar trabalhista Yvette Cooper, presidente da comissão de assuntos internos, comemorou a decisão “tardia mas necessária.”

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“Estas medidas são um primeiro passo necessário, mas devem ser acompanhadas de uma regulação independente e de multas significativas para as companhias que não lidarem com conteúdo ilegal, violento e extremista dentro de um certo prazo.”

Mudança de postura

As ações do Facebook foram anunciadas uma semana depois que o governo britânico divulgou um plano para fazer do Reino Unido “o lugar mais seguro do mundo para navegar na internet.”

Em um documento com suas pretensões legislativas, as autoridades sugeriram que plataformas como a de Zuckerberg deveriam ser responsabilizadas não apenas por remover conteúdo ilegal, como pornografia infantil, mas também as postagens “legais mas ofensivas”, como notícias falsas, cyberbullying e promoção de automutilação e suicídio.

Único a exercer o direito de resposta oferecido pelo Guardian, o representante do Knights Templar International se disse “horrorizado” com a decisão desta quinta e afirmou estar procurando vias jurídicas para revogá-la.

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“O Facebook julgou nossa organização cristã como sendo perigosa e tirou nossa plataforma apesar de nunca termos sido nem ao menos processados, quem dirá condenados, por algum tipo de crime”, escreveu o porta-voz. “Esta decisão faria inveja aos soviéticos.” 

A decisão de banir cinco dos grupos mais proeminentes da extrema direita britânica mostra uma evolução em relação a antiga posição do Facebook.

Em 2016, uma campanha denunciou táticas escusas do Britain First, um partido então recém-registrado, para impulsionar postagens islamofóbicas para milhões de usuários da rede social. Rapidamente a nova legenda se tornou a mais popular do Reino Unido na plataforma.

Quando questionada sobre os malefícios do fenômeno, o Facebook defendeu que sua rede servia para “partidos e apoiadores de diversos espectros políticos fazerem campanha por aquilo desperta sua paixão.” “Como outros indivíduos e organizações em nossa rede, eles devem apenas aderir às regras da nossa comunidade que já estabelecem os limites aceitáveis de comportamento e conteúdo.” Dois anos depois, o Britain First foi um dos primeiros banidos do site.

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