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Extrema-direita é forçada a responder por crimes de Breivik

Espalhados principalmente por França, Itália, Holanda, Suíça, Áustria, Hungria e países nórdicos, esses partidos vêm ganhando força na última década, com um discurso anti-imigração, anti-Islã e fortemente avesso à União Europeia

No banco dos réus, logo ao lado do atirador de Oslo Anders Behring Breivik, encontram-se nesta semana todos os partidos de extrema-direita da Europa. Como deixam claro os escritos de Breivik – quer seus comentários em sites como o norueguês Document.no, quer as 1.500 páginas do manifesto que ele publicou na internet pouco antes de realizar os atentados – suas ideias coincidem com as dessas agremiações na islamofobia, na xenofobia e na intolerância. A questão é saber o que separa esse discurso radical de ações brutais como as que deixaram 77 mortos na Noruega: um abismo, que só uns poucos indivíduos doentios vão transpor, ou uma estrada que muitos ainda podem percorrer.

Espalhadas por França, Itália, Holanda, Suíça, Áustria, Hungria e países nórdicos, as siglas de extrema-direita ganharam força na última década, com um discurso anti-imigração, anti-Islã e fortemente avesso à União Europeia. Ao lado delas, surgem também grupos como o transnacional Stop Islamisation Of Europe (Pare a Islamização da Europa). Essa organização “não considera um crime criticar o Islã, mas uma obrigação”, como professa em sua página de Facebook, e promete intensificar cada vez mais suas demonstrações antimuçulmanas. Outro exemplo é a Liga de Defesa Inglesa (EDL, da sigla em inglês), que alega ser uma “organização de Direitos Humanos que existe para proteger o direito inalienável de todas as pessoas de protestar contra a invasão do Islã na vida dos não-muçulmanos”.

Na Holanda, Dinamarca e Itália, os partidos de extrema-direita são aliados do grupo governista e têm alguma influência sobre suas decisões. A italiana Lega Nord detém até mesmo ministérios. Na França, a candidata Marine Le Pen, da Frente Nacional, se mostra competitiva para as eleições de 2012.

Próximos ou distantes do poder, esses partidos praticam uma retórica que encontra eco em fatias crescentes da população. “Eles têm um discurso eficaz. Tanto assim, que alguns partidos da centro-direita já se esforçam por imitá-los”, diz Jonathan Laurence, cientista político da Faculdade de Boston, nos Estados Unidos.

As políticas adotadas em consequência dessa imitação – como a deportação em massa de um grupo étnico, os ciganos, na França – só alimentam patologias sociais: o ódio aos imigrantes, por parte dos “nativos”, e a rejeição dos valores do novo país, por parte dos estrangeiros. Tais conflitos explodem não só em atitudes terroristas como a de Breivik, mas em outros tipos de vandalismo, como o espancamento de imigrantes nas ruas da Grécia por um grupo de neonazistas, em maio deste ano.

No início deste ano, o chefe do Partido da Liberdade holandês, Geert Wilders, teve de dar explicações à Justiça de seu país, acusado de incitação ao ódio e discriminação racial e religiosa. Mas, enquanto não patrocinem abertamente a violência, políticos como Wilders estão protegidos pela liberdade de expressão. “Em muitas ocasiões, eles empregam uma linguagem brutal. Mas são muito cuidadosos em nunca cruzar essa linha, já que isso os tornaria organizações ilegais”, diz Laurence. “Mesmo assim, os recentes acontecimentos em Oslo mostraram que sua ideologia criou um ambiente em que indivíduos instáveis podem tomar atitudes fora da lei. E revelou também que suas ideias são muito parecidas com a dos jihadistas que eles tão apaixonadamente criticam”.

Veja abaixo o perfil do maiores partidos de extrema-direita da Europa:

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