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Exército sírio impede acesso da ONU a local de massacre

Hillary Clinton disse que situação é 'inadmissível' e pede a renúncia de Assad

Por Da Redação 7 jun 2012, 09h56

Os observadores da ONU mobilizados na Síria foram impedidos nesta quinta-feira, principalmente “por barreiras do Exército”, de chegar a Al-Koubeir, perto de Hama, onde dezenas de pessoas, incluindo mulheres e crianças, foram mortas na véspera, anunciou o chefe da missão, general Robert Mood.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram mais de 9.400 pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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“Os observadores ainda não conseguiram chegar à aldeia. Sua missão é prejudicada pelo fato de terem sido parados em barreiras do Exército sírio e, em alguns casos, reprimidos”, indicou Mood. O chefe da missão da ONU acrescentou que “algumas de nossas patrulhas foram paradas por civis na área”.

“Recebemos informações de moradores da área segundo as quais a segurança de nossos observadores estaria em perigo se entrássemos na aldeia”, acrescentou. “Apesar de todos esses desafios, os observadores ainda tentam ter acesso para tentar verificar os fatos no terreno”, enfatizou, manifestando sua preocupação relacionada “às restrições impostas aos deslocamentos da missão porque elas impedem a supervisão, a observação e a elaboração de relatórios”.

A oposição fala em cem mortos no atentado, mas o regime sírio nega qualquer envolvimento. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) calcula que pelo menos 55 pessoas foram mortas, incluindo 18 mulheres e crianças. A missão de observação está na Síria desde 15 de abril, em conformidade com o plano para por fim à crise do emissário internacional Kofi Annan, com o objetivo de supervisionar a aplicação de um cessar-fogo, constantemente ignorado.

EUA – Também nesta quinta, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, comentou o novo banho de sangue e pediu a saída imediata do ditador Bashar Assad. “A violência apoiada pelo governo, de que fomos testemunhas em Hama, é simplesmente inadmissível”, declarou ela, em uma entrevista coletiva à imprensa em Istambul. “Assad tem que deixar o poder e abandonar a Síria”, acrescentou, no dia seguinte a uma noite de trabalho com representantes de 16 países, entre eles vários países árabes e europeus, em que foi discutido como aumentar a pressão sobre o regime de Damasco para obter mudanças políticas.

Hillary reconheceu que, até agora, os Estados Unidos fracassaram em impulsionar uma ação internacional que tivesse impacto sobre Assad. “Devemos reiterar nossa união, devemos enviar uma clara mensagem a outras nações que ainda não estão trabalhando conosco, ou que, inclusive, estão apoiando ativamente o governo Assad, de que não há futuro nisso”, destacou, enfatizando ainda: “E, certamente, planejar uma transição ordenada será um passo importante”.

(Com agência France-Presse)

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