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Exército sírio envia reforços a Deraa e segue atacando

Comunidade internacional se mostra hesitante sobre como reagir à repressão

Por Da Redação 26 abr 2011, 17h30

O Exército sírio enviou nesta terça-feira reforços à cidade de Deraa, no sul, onde continua a disparar contra os habitantes, um dia depois de matar 25 pessoas para pôr fim, pela força, aos protestos contra o governo. “Novos reforços das forças de segurança e do Exército entraram em Deraa. Há um tanque na praça Kaziet al Balad, no centro da cidade”, informou um militante de direitos humanos, Abddulah Abazid, contatado por telefone pela AFP. “Os disparos continuam contra os habitantes.”

Segundo Abazid, a mesquita de Abu Bakr Asidiq é alvo de intensas rajadas, e um francoatirador está postado na mesquita de Bilal al Habachi. “Há tanques e barreiras instalados nas entradas da cidade, o que impede a entrada das pessoas em Deraa”, contou. Ele disse ainda que soldados da quinta divisão desertaram, se uniram aos rebeldes e estão enfrentando o Exército, que cerca Deraa. De acordo com o militante, a residência do mufti – a mais alta autoridade religiosa da cidade – que renunciou no sábado para protestar contra a violenta repressão executada pela forças de segurança está cercada, mas ele não está no local. De acordo com os habitantes, a cidade está sem água e eletricidade.

Na segunda-feira, pelo menos 25 pessoas morreram na repressão dos protestos nesta cidade agrícola de 75.000 habitantes. Mais de 3.000 soldados respaldados por blindados e tanques entraram na localidade ao amanhecer, segundo ativistas dos direitos humanos. As autoridades, que acusam desde o início “grupos criminosos armados” de envolvimento na origem do movimento, afirmaram que o Exército entrou em Deraa “em resposta aos pedidos de socorro feitos pelos habitantes para acabar com as sabotagens e assassinatos cometidos por grupos terroristas extremistas”.

Uma fonte militar informou que foram “detidos vários membros dos grupos terroristas e apreendidas importantes quantidades de armas e munições”, com mortos e feridos dos dois lados. Desde o início do movimento de protesto em 15 de março, 390 pessoas morreram, sendo 160 delas desde o fim do estado de emergência em 21 de abril, segundo um balanço da AFP baseado nas informações divulgadas por ONGs estrangeiras e militantes sírios. As organizações também denunciaram a detenção de centenas de opositores políticos e ativistas humanitários.

Reação internacional – Em gritante contraste com a relativa celeridade com que decidiu sancionar a Líbia, a comunidade internacional se mostra hesitante diante das possibilidades de reação à repressão violenta dos protestos na Síria pelo regime de Bashar al Assad. “Essas dúvidas sobre a Síria enviam uma mensagem equivocada ao regime”, critica Nadim Shehadi, pesquisador do grupo britânico Chatham House, para quem o número de vítimas fatais das forças do governo – quase 400 desde 15 de março – continuará aumentando sem uma reação contundente da comunidade internacional.

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Estados Unidos, Grã-Bretanha e França só começaram a pedir sanções contra Damasco depois que Assad enviou o exército à cidade de Deraa. Washington afirma estar estudando “sanções seletivas” contra as autoridades sírias, enquanto Paris exigiu medidas “fortes” da ONU e da UE. Londres, por sua vez, garantiu estar examinando com seus aliados europeus ações “suplementares”. Para discuti-las, os embaixadores dos 27 países membros da União Europeia em Bruxelas marcaram uma breve reunião em breve.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta terça-feira que não deve haver nenhuma diferenciação entre Síria e Líbia na reação da comunidade internacional, e que Al Assad deve ser tratado da mesma maneira que o ditador líbio, Muamar Kadafi. Por outro lado, Sarkozy destacou que não haverá nenhuma intervenção militar na Síria sem uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, algo que “não é fácil de obter”.

Sobre a Síria, Grã-Bretanha, França, Alemanha e Portugal trabalham neste momento em um projeto de resolução apenas para condenar a repressão, que pode ser publicado ainda hoje se os 15 membros do Conselho de Segurança assim aprovarem. Para Nadim Shehadi, os ocidentais estão “traumatizados” com as síndromes do Iraque e da Líbia, o que explica em parte a atitude diante da situação Síria. “O papel-chave de Damasco no Oriente Médio, onde mantém um delicado equilíbrio diplomático com Israel e possui peso notável no Líbano, também influencia a postura da comunidade”, argumentou o especialista.

(Com agência France-Presse)

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