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Exército sírio ataca berço da rebelião e bombardeia ponte de fuga para o Líbano

O Exército sírio executou um grande ataque contra a cidade de Hirak, berço da rebelião, e bombardeou uma ponte pela qual transita a maioria dos habitantes que fogem para o Líbano, enquanto a Rússia afirmou que não tem intenção de mudar sua posição.

O presidente americano, Barack Obama, disse que o que acontece na Síria é “devastador e escandaloso”, enquanto seu colega sírio Bashar al-Assad reafirmou sua determinação em combater “o terrorismo apoiado pelo exterior”, como faz desde o início de sua revolta contra o regime há quase um ano.

Essas declarações foram feitas na véspera da chegada ao país da responsável por operações humanitárias da ONU, Valerie Amos, para tentar obter acesso humanitário “sem travas”, e três dias antes da visita do emissário da ONU e da Liba Árabe, Kofi Annan.

Doze pessoas morreram nesta terça-feira em atos de violência, particularmente durante uma operação contra a cidade de Hirak na província de Deraa, informou o opositor Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Uma criança foi morta atingida por disparos e cinco soldados morreram em violentos confrontos com o Exército Sírio Livre (ESL, que reúne, entre otros, militares dissidentes), afirmou a organização que denunciou um bombardeio com artilharia pesada de casas e mesquitas.

Depois da tomada do bairro de Baba Amr, em Homs, na semana passada, as forças do regime intensificaram a pressão sobre os outros redutos do Exército Sírio Livre (ESL), particularmente Rastan, a 20 km de Homs, que foi declarada cidade livre em 5 de fevereiro.

O regime informou ter encontrado em Baba Amr, além de armas, “um avião de reconhecimento” utilizado por “grupos terroristas”.

A Cruz Vermelha Internacional continuava negociando, pelo quinto dia consecutivo, a entrada de um comboio de ajuda urgente no bairro de Baba Amr, declarou Saleh Dabbakeh, seu porta-voz em Damasco.

As autoridades justificaram a proibição de entrada no bairro com razões de segurança, em especial pela presença de bombas e minas.

Trata-se sobretudo de “enterrar ou queimar os cadáveres e apagar os rastros” dos crimes do regime “para que a CICR não veja nada”, afirmou Hadi Abdallah, militante em Homs da Comissão Geral da Revolução Síria, em referência às centenas de vítimas da violência nesse bairro.

Durante a manhã desta terça-feira, o Exército bombardeou na localidade de Rableh uma ponte usada pelos sírios em fuga para o Líbano, denunciou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

O bombardeio não provocou vítimas, mas inutilizou a ponte, que cruza o rio Orontes, perto da fronteira libanesa.

Quase 2.000 sírios, na maioria mulheres e crianças, se refugiaram no Líbano desde o fim de semana passado, informou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e fontes da oposição.

Segundo o Acnur, 7.058 refugiados sírios foram registrados no Líbano desde o início da rebelião contra o regime de Bashar al-Assad.

Mais de 7.600 pessoas morreram pela violência na Síria desde meados de março de 2011, segundo a ONU, e a situação humanitária é cada vez mais preocupante.

O presidente americano, Barack Obama, considerou que o que acontece na Síria é “devastador e escandaloso”, apesar de ter afirmado que há uma solução simples para esta situação.

Mas “para nós, realizar uma ação militar unilateral, como alguns sugeriram, ou acreditar que exista uma solução fácil, é um erro”, disse Obama em coletiva de imprensa na Casa Branca.

A Espanha anunciou nesta terça-feira ter suspendido as atividades de sua embaixada na Síria, um mês depois de ter retirado seu embaixador em Damasco devido a um “aumento da repressão sobre a população civil”, enquanto a Turquia chamou nesta terça-feira o regime sírio a autorizar a abertura “imediata” de corredores humanitarios para a população civil.

A Rússia, membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, que já bloqueou duas resoluções nessa instância que condenavam a repressão na Síria, advertiu as potências ocidentais para “não se iludir” caso esperem uma mudança política em relação a seu aliado sírio após a eleição de Vladimir Putin na presidência russa.

“Pedimos a nossos parceiros europeus e norte-americanos que não se iludam”, afirmou a chancelaria russa em comunicado. “A posição russa sobre a Síria nunca foi determinada em função de ciclos eleitorais, contrariamente (ao que ocorre em) alguns de nossos parceiros ocidentais”, completou.