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Exército norte-coreano completa 80 anos em meio a temor de novo teste atômico

Por Da Redação 25 abr 2012, 09h44

Atahualpa Amerise.

Seul, 25 abr (EFE).- A Coreia do Norte comemorou nesta quarta-feira o 80º aniversário da criação de seu exército, um dos maiores do mundo, enquanto a comunidade internacional observa com inquietação o regime comunista diante da possibilidade de que realize um terceiro teste nuclear.

O líder norte-coreano e comandante supremo do Exército Popular da Coreia do Norte, Kim Jong-un, presidiu um ato comemorativo na Casa da Cultura da capital, Pyongyang, por ocasião deste aniversário, mas não pronunciou o discurso previsto por alguns analistas.

Kim Jong-un foi mais tarde ao Palácio Memorial de Kumsusan para render tributo a seu pai, o ‘líder eterno’ Kim Jong-il, e a seu avô, o ‘presidente eterno’ e fundador do país, Kim Il-sung, informou a agência estatal norte-coreana ‘KCNA’.

A celebração do aniversário destas forças armadas aconteceu em um momento em que a comunidade internacional observa minuciosamente o regime, frente à possibilidade de que esteja preparando um terceiro teste nuclear.

A Coreia do Norte afirmou em 2006 e 2009 ter feito testes atômicos após ter realizado lançamentos de mísseis balísticos intercontinentais, algo que voltou a fazer no último dia 13, quando tentou pôr em órbita, sem sucesso, um satélite por meio de um foguete de longo alcance.

A Inteligência sul-coreana afirmou há duas semanas que tinha detectado por satélite movimentos suspeitos na base de Punggye-ri, no nordeste do país, onde Pyongyang realizou os testes nucleares em 2006 e 2009.

Por sua vez, o antigo chefe negociador dos EUA com a Coreia do Norte, Christopher Hill, advertiu hoje em entrevista concedida à agência sul-coreana ‘Yonhap’ que o próximo teste nuclear poderá ser ‘diferente e maior ‘que os dois anteriores, que renderam duras sanções do Conselho de Segurança da ONU.

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O evento realizado hoje na Casa da Cultura e que contou com a presença da cúpula do regime comunista, teve seu ápice no discurso de Ri Yong-ho, chefe do Estado-Maior general do Exército, que elogiou o poder das Forças Armadas do país frente a EUA e Coreia do Sul, e pediu unidade interna em torno do líder.

Com a habitual retórica belicista do regime norte-coreano, Ri ameaçou com ‘cortar a traqueia’ dos inimigos do país em seu discurso para comemorar o aniversário das Forças Armadas, que no dia 15 deste mês protagonizaram um impressionante desfile para comemorar o centenário do nascimento de Kim Il-sung.

Naquele evento, Pyongyang exibiu um míssil de grande porte que, como antecipado na semana passada por alguns analistas sul-coreanos e japoneses, pode ter um alcance de milhares de quilômetros.

No entanto, dois especialistas da companhia aeroespacial alemã Schmucker Technologie disseram ontem à ‘Yonhap’ que uma observação mais profunda das imagens revela que o suposto projétil era apenas uma réplica vazia.

Apesar da delicada situação econômica que a Coreia do Norte atravessa há duas décadas e a obriga a depender da ajuda externa para alimentar sua população, calcula-se que o país comunista destine aproximadamente um terço de seu orçamento às Forças Armadas.

Estas ocupam um lugar prioritário na política, como estabelece o ‘Songun’, doutrina aplicada por Kim Jong-il e referendada por seu filho mais novo e sucessor.

Com 80 anos, o Exército Popular da Coreia do Norte, fundado na China em 25 de abril de 1932 para combater as forças japonesas que colonizavam a Península da Coreia, é hoje o principal fiador da poder da dinastia Kim, que governa o Estado comunista desde sua fundação, em 1948.

Com mais de 1,1 milhão de soldados ativos e mais de 8 milhões na reserva, é um dos exércitos mais numerosos do mundo – apesar de a Coreia do Norte ter uma população de apenas 25 milhões de habitantes – e conta com um extenso arsenal, de artilharia a tanques, aviões e navios.

No entanto, o calcanhar de Aquiles das Forças Armadas norte-coreanas é a tecnologia, que em geral não supera os padrões da Guerra Fria em comparação aos armamentos de última geração com os quais seus principais inimigos, Coreia do Sul e EUA, contam. EFE

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