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Exército nigeriano sabia que meninas seriam sequestradas, diz Anistia

Organização de defesa dos direitos humanos afirma que os militares tinham recebido um alerta quatro horas antes do crime praticado pelo Boko Haram

O Exército nigeriano havia recebido um “alerta contundente” de que o Boko Haram raptaria as mais de 200 meninas que dormiam em uma escola na cidade de Chibok, no estado de Borno, comunicou nesta sexta-feira a organização em prol dos direitos humanos Anistia Internacional. O aviso foi emitido quatro horas antes do crime, mas nenhuma ação imediata foi apresentada pelos militares para impedir a tragédia. “Testemunhos recolhidos pela Anistia Internacional revelam que as forças de segurança da Nigéria não agiram frente aos alertas avançados de que haveria uma ofensiva armada do Boko Haram contra a escola estatal de Chibok, a qual resultou no sequestro das meninas”, disse a ONG, segundo o jornal britânico The Guardian.

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A organização afirmou que a informação foi confirmada por “fontes de credibilidade”. “A Anistia Internacional confirmou que os quartéis do Exército nigeriano na cidade de Maiduguri estavam cientes do iminente ataque às 19 horas (horário local) do dia 14 de abril, aproximadamente 4 horas antes do Boko Haram atacar a cidade”, destacou a ONG. Algumas das razões que impediram o Exército de agir contra os terroristas, segundo a Anistia, foram “os recursos limitados e um claro medo de se envolver em uma luta contra terroristas que frequentemente estão mais bem equipados” do que os próprios militares.

Um contingente de dezessete soldados nigerianos estava em Chibok no momento da investida do Boko Haram. As tropas foram facilmente subjugadas pelos radicais islâmicos e tiveram de recuar. “O fato de o Exército da Nigéria ter conhecimento de que o Boko Haram atacaria a cidade e, mesmo assim, não apresentar uma ação imediata para impedir a ofensiva só amplia a revolta nacional e internacional com este crime horrível”, declarou Netsanet Belay, o diretor de assuntos ligados à África na Anistia Internacional.

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Inação – As denúncias de inação por parte das autoridades não estão restritas às forças de segurança nigerianas. Legisladores republicanos dos EUA acusaram a provável candidata democrata à presidência do país em 2016, Hillary Clinton, de não ter dado uma resposta firme às atrocidades do Boko Haram durante o período em que ela esteve na secretaria de Estado, entre 2009 e 2013. A demora em classificar o grupo fundamentalista como uma “organização terrorista estrangeira” impediu a legislação americana de tornar ilegal o financiamento e fornecimento de material para os radicais islâmicos. A classificação de “terrorista” só foi aplicada ao Boko Haram em novembro de 2013, após John Kerry assumir o departamento de Estado, conforme informou o jornal The New York Times.