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Exército liberta reféns detidos por terroristas em shopping

Segundo a Cruz Vermelha, o ataque matou 68 pessoas. Fontes da milícia Al Shabab, autora do ataque, afirmam que três integrantes da organização, que participaram do atentado, moraram nos Estados Unidos

Por Da Redação - 22 set 2013, 20h02

O Exército do Quênia informou ter libertado a maioria dos reféns que estava detida dentro do shopping Westgate, na capital Nairóbi, sob a ameaça de um grupo de extremistas somalis. O porta-voz do Exército disse que o centro comercial está seguro. “Nossa preocupação é resgatar todos os reféns vivos e esse é o motivo pelo qual a operação é delicada”, informou o Centro de Operações Nacionais de Desastre do Quênia através da conta no Twitter. Na operação para por fim ao cerco, quatro soldados ficaram feridos.

Os reféns ficaram 24 horas em poder de homens da milícia islâmica radical Al Shabab no shopping. Cerca de 15 terroristas do grupo mantinham 30 detidos no local, invadido pelo Exército neste domingo em uma operação para salvar os reféns. No sábado, um grupo de homens armados entrou no shopping, abriu fogo contra o público e transformou o prédio em uma zona de guerra. Segundo a Cruz Vermelha, o ataque matou 68 pessoas.

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Fontes da milícia Al Shabab disseram à emissora norte-americana CNN que três integrantes da organização terrorista que participaram da invasão ao shopping viveram nos Estados Unidos. A rede de televisão não esclareceu se os três integrantes do grupo têm nacionalidade americana, apenas que dois moraram no estado de Minnesota e outro no Missouri, zonas do Meio Oeste onde há uma grande população imigrante do Chifre da África.

O governo americano tenta verificar a identidade dos criminosos, que aparentam cerca de 20 anos de idade. Segundo o canal NBC, o FBI está investigando se há americanos envolvidos no ataque contra o centro comercial de Nairóbi. A milícia islâmica Al Shabab é vinculada à Al Qaeda.

O Departamento de Estado disse neste domingo que vários americanos estavam no shopping Westgate no momento do ataque. No total dos norte-americanos, cinco ficaram feridos e a esposa de um funcionário do governo dos Estados Unidos morreu.

Antes de o Exército libertar os reféns, o presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, chamou os terroristas de “covardes” e disse que manterá a luta contra o terror. “Eles não sairão bem desses atos desprezíveis. Castigaremos também os autores intelectuais de maneira rápida e dolorosa”, prometeu.

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Ataque– Após o ataque, o grupo terrorista Al Shabab assumiu a autoria do atentado e disse, via Twitter, que o Quênia havia recebido repetidos avisos para retirar suas tropas da Somália sob pena de sofrer “consequências graves”. “O governo queniano, no entanto, se fez de surdo às nossas repetidas advertências e continuou a massacrar inocentes muçulmanos na Somália”, disse o grupo em seu Twitter oficial, @ HSM_Press. “O ataque no Westgate Mall é apenas uma pequena fração do que os muçulmanos na Somália passam nas mãos dos invasores quenianos”, disseram os militantes.

O grupo afirmou ainda, também pelo Twitter, que seus militantes escoltaram os muçulmanos para fora do prédio antes de começar o massacre. A declaração corrobora o depoimento de uma sobrevivente que disse a jornalistas que os homens armados ordenaram que todos os muçulmanos deixassem o local antes de iniciar o fuzilamento.

Histórico – Antes do surgimento do grupo Al Shabab, ligado à Al Qaeda, o Quênia já foi alvo de atentados terroristas, como o bombardeio à embaixada americana em Nairóbi em 1998, que foi planejado para marcar o oitavo ano da presença das forças armadas americanas na Arábia Saudita, e os ataques coordenados contra um hotel cujo dono é de origem israelense e contra um avião de Israel em 2002. No entanto, o país tem sofrido mais ataques depois de invadir a Somália em outubro de 2011, com o objetivo de ajudar a combater os terroristas do Al Shabab junto aos EUA, França e Etiópia.

Desde 2011, uma série de pequenos ataques contra igrejas, bares, shoppings e instalações militares sacodem o Quênia. O primeiro aconteceu em 24 de outubro de 2011, quando uma granada foi jogada contra um bar em Nairóbi, matando uma pessoa e ferindo 20. No mesmo dia, uma granada foi lançada contra um carro em um terminal de ônibus em Machakos, matando cinco. Em março de 2012, um novo ataque contra um terminal de ônibus deixou seis mortos e 60 feridos. O maior ataque realizado no ano passado, no entanto, foi contra duas igrejas em Garissa, em julho, quando homens mascarados mataram 17 pessoas.

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(Com EFE, Reuters e Estadão Conteúdo)

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