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Exército egípcio nega participação em morte de cristãos

Distúrbio em protesto copta resultou em morte de 25 pessoas no domingo

Por Da Redação 12 out 2011, 19h53

O Exército egípcio negou nesta quarta-feira ser culpado pela morte dos 25 manifestantes cristãos coptas nos distúrbios do último domingo no Cairo. Os militares também acusaram membros da minoria religiosa de incitar a violência.

“Estamos diante de uma realidade: a polícia militar não disparou contra os manifestantes”, afirmou em entrevista coletiva o porta-voz do Conselho Superior das Forças Armadas, Adel Emara. Segundo ele, no momento dos protestos dos coptas em frente à sede da radiotelevisão egípcia, “os 300 soldados que protegiam esse edifício não dispunham de armas de fogo”.

“Quem matou os cristãos? Essa é a pergunta. Estamos buscando a resposta, mas não foram as forças armadas que os abateram”, explicou Mohammed Hegazi, outro porta-voz da Junta Militar que falou durante esta entrevista coletiva. Hegazi afirmou que os detalhes do que realmente aconteceu só surgirão quando terminar a investigação iniciada pela justiça militar. Além disso, o porta-voz confirmou que houve vítimas fatais entre os militares, embora não tenha anunciado quantos morreram “para não prejudicar a moral das Forças Armadas”.

Hegazi desmentiu de forma taxativa que veículos conduzidos por militares atropelaram civis, como denunciaram testemunhas e feridos nos distúrbios. Ele afirmou que, se isso ocorreu, os responsáveis não são do exército. “Primeiro os manifestantes atacaram com pedras os tanques e depois um civil entrou num carro e veio em nossa direção”, afirmou o porta-voz.

Ambiguidade – As declarações dos militares foram marcadas por certa ambiguidade. Ao mesmo tempo em que acusaram os cristãos de estimular a violência, afirmaram que grupos políticos manipularam a realização de um protesto legítimo para criar o caos. “A revolução tem seus inimigos e essas pessoas querem acabar com ela”, disse Hegazi, sem revelar quem são esses opositores. Já Adel Emara afirmou que existem personalidades dentro do país que querem o aumento da violência para forçar uma intervenção estrangeira.

Na entrevista coletiva, os militares mostraram vídeos com a intenção de provar que os coptas são um grupo radical. Nas gravações, vê-se um sacerdote copta que reivindica uma cota de 140 cadeiras para os cristãos do total de 498 que existem na Câmara Baixa egípcia. A minoria representa 10% da população do Egito. Outras imagens mostram um grupo de manifestantes, apresentados pelos militares como ativistas coptas, cantando palavras de ordem como “somos os donos desta terra”, em referência ao fato dos cristãos terem chegado ao Egito antes dos muçulmanos.

Coptas – A versão dos militares se choca frontalmente com a exposta nesta quarta-feira por organizações coptas em outra entrevista coletiva, na qual pediram a renúncia do governo liderado por Essam Sharaf. O presidente da Organização Geral dos Coptas no Egito, Sherif Doss, acusou o Executivo de “ser incapaz de controlar os últimos fatos ocorridos país”, e por isso o governo perdeu a confiança de sua comunidade.

(Com agência EFE)

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