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Exército e tribos se enfrentam em batalha crucial para Assad

Por Da Redação 1 ago 2012, 18h44

Os combates continuavam em Aleppo entre o Exército, apoiado por combatentes tribais, e rebeldes, que querem aproveitar as sedes dos serviços de inteligência para estabelecer seu controle sobre a cidade.

Consciente do problema, o presidente Bashar al-Assad afirmou que suas tropas travam uma batalha “crucial” para o destino do país.

Apesar dos pontos marcados pelos insurgentes com a tomada de três delegacias em Aleppo, novas divisões surgiram entre o comando no exílio e os homens no terreno.

Enquanto isso, a violência deixou mais 123 mortos nesta quarta feira, incluindo 76 civis, 43 soldados e 13 rebeldes, indicou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), segundo o qual mais de 20.000 pessoas foram mortas na Síria desde março de 2011.

Intensos confrontos foram travados entre membros do clã pró-governamental Berri e rebeldes no bairro de Bab Nairab, leste de Aleppo, um dia depois da execução do líder dos Berri, Zeino Berri, pelo Exército Sírio Livre (ESL), composto por desertores e civil armados.

De acordo com uma fonte da segurança, este importante clã sunita, que apoia o regime há trinta anos em troca de vantagens, prometeu se vingar, enviando para a batalha milhares de combatentes.

Um combatente do ESL em Salaheddine, reduto rebelde no oeste de Aleppo, afirmou que “os soldados do Exército regular tentaram, sem sucesso, entrar em nosso bairro”.

“Somos 2.000 em Salaheddine (…) e a cada dia mais combatentes chegam para se juntar a nós”, declarou à AFP “Abou Mossab”, por telefone.

O líder dos rebeldes em Aleppo, o coronel Abdel Jabbar al-Oqaidi, falou de “milhares” de insurgentes, enquanto uma fonte da segurança estimou este número em 4.000.

Segundo o porta-voz dos rebeldes no terreno, coronel Kassem Saadeddine, os insurgentes controlam “50%” da cidade de Aleppo e quase a toda a sua província.

Após a tomada simbólica de três delegacias na terça-feira em Aleppo, os rebeldes parecem determinados a controlar os serviços de inteligência.

Para o general Abdel Nasser Ferzat, um comandante do ESL, “o mais importante é a tomada das sedes dos serviços de informação.”

“Se esses locais caem, a vitória é possível”, considerou.

O Exército regular bombardeou os bairros rebeldes de Aleppo, mas não conseguiu avançar, após um primeiro ataque repelido pelos insurgentes em 28 de julho.

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A ONU indicou, por sua vez, que o Exército havia usado caças e que os insurgentes tinham agora armamento pesado, incluindo tanques.

“O moral do Exército está no fundo do poço, (o regime) sabe que se entrar com seus tanques entre as casas e moradores, haverá um risco maior de deserções”, assegurou o coronel Oqaidi.

Confrontado com a fome iminente, o Programa Alimentar Mundial (PAM) anunciou que enviou ajuda alimentar a Aleppo.

Em Damasco, breves combates foram travados, pela primeira vez, entre soldados e moradores dos bairros cristãos de Baba Touma e Bab Charqi, que eram considerados pró-regime.

Para o presidente Assad, suas tropas travam uma batalha “crucial”, que definirá “o destino de nosso povo e nossa nação”.

“O inimigo se encontra agora entre nós, utilizando agentes internos como meio para desestabilizar a pátria”, afirmou o presidente sírio.

Em resposta às afirmações de Assad, os Estados Unidos consideraram “covarde um homem que se esconde (…), ao mesmo tempo em que ordena que seus soldados massacrem civis”.

Enquanto isso, os rebeldes mostraram novas divisões.

O chefe oficial do ESL, com base na Turquia, criticou o comando do interior, que propôs esta semana a formação de um conselho presidencial para dirigir uma possível transição.

“Há pessoas (…) tão envolvidas na corrida por postos (de poder), que chegaram ao ponto de anunciar um programa de governo de transição”, declarou o coronel Riad Assaad, em um discurso transmitido no YouTube.

Por outro lado, os rebeldes no terreno criticaram o opositor Haytham Al-Maleh, que anunciou na terça-feira que havia sido encarregado de formar uma coalizão de “independentes, sem filiação partidária” para formar um governo no exílio.

O coronel Saadeddine afirmou que “todo projeto governamental que marginaliza grupos no interior do país” estaria condenado ao fracasso.

No exterior, o ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, anunciou que a reunião ministerial sobre a Síria do Conselho de Segurança da ONU será realizada “antes do final de agosto”.

Além disso, o grupo dissidente Fatah al-Islam, que surgiu no Líbano em 2007, chamou a jihad contra o regime sírio.

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