Exército dos EUA pede sugestões ‘criativas e não convencionais’ para punir Irã, diz TV
Segundo a CNN, comando militar dos EUA enviou e-mail a analistas em busca de novas formas de pressionar Teerã
O Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (CENTCOM) lançou uma espécie de brainstorming interno para encontrar formas “criativas e não convencionais” de aumentar a pressão sobre o Irã. A iniciativa, revelada com exclusividade pela emissora CNN nesta segunda-feira, 3, expõe a dificuldade do governo de Donald Trump em encontrar alternativas para forçar Teerã a aceitar um acordo nos termos defendidos pela Casa Branca.
Segundo a emissora, um oficial sênior da área de inteligência do CENTCOM enviou um e-mail, na semana passada, a um amplo grupo de especialistas pedindo sugestões para “pressionar e punir o Irã”. O formato da consulta chamou a atenção por funcionar como um exercício de crowdsourcing dentro da estrutura militar — prática considerada incomum por autoridades ouvidas pela CNN.
A ideia de pedir sugestões, de acordo com as fontes, reflete a avaliação de que as opções disponíveis para aumentar a pressão sobre Teerã estão cada vez mais limitadas e envolvem custos políticos e militares elevados. Uma das pessoas ouvidas pela emissora afirmou que o CENTCOM passou a reavaliar sua estratégia e decidiu considerar todas as possibilidades em busca de uma alternativa mais eficaz.
Em comunicado, o porta-voz do comando militar, capitão Timothy Hawkins, afirmou que a busca por ideias inovadoras faz parte da cultura da instituição. Segundo ele, o comandante do CENTCOM, Brad Cooper, costuma incentivar militares de diferentes patentes a apresentar sugestões para aprimorar o planejamento operacional.
A mobilização ocorre em um momento delicado da guerra. O e-mail precedeu a ameaça de Trump de lançar novos ataques contra o Irã, que foram cancelados no fim de semana após a intervenção de autoridades regionais — principalmente o príncipe herdeiro da Arábia Saudita — que telefonaram para o presidente e o instaram a reduzir a tensão.
Nesta segunda, Trump, acusou a liderança do Irã de ser “inacreditavelmente dissimulada”, após Teerã negar estar em negociações com Washington, rejeitando falas do republicano de uma nova rodada de diálogos para encerrar a guerra em curso há seis meses.
Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, não há qualquer negociação em curso. “Atualmente não estamos negociando com os Estados Unidos. Nossas negociações são com Omã para garantir a passagem pelo Estreito de Ormuz”, declarou Esmaeil Baqaei durante uma entrevista coletiva.
A estratégica rota marítima, por onde passa um quinto do petróleo e gás consumidos no planeta, é um dos principais obstáculos nos esforços para encerrar o conflito. Após ser atacado por Estados Unidos e Israel, o Irã fechou o estreito em retaliação e passou a abrir fogo contra navios mercantes que tentam atravessar a via sem autorização.
Antes da guerra, a passagem pelo estreito era livre, mas agora Teerã insiste em manter o controle e cobrar pedágios, algo que o governo dos Estados Unidos rejeita. O cessar-fogo veio abaixo justamente quando a Guarda Revolucionária Islâmica, exército ideológico da república dos aiatolás, passou a disparar contra embarcações que trafegavam pela chamada “rota de Omã”, mais distante da costa iraniana e não aprovada pelas autoridades do regime.
No domingo, Baqaei declarou à televisão estatal que seu governo estava prestes a fechar um acordo com Omã, nação situada no lado oposto do estreito que compartilha sua gestão, sobre uma nova rota de trânsito em Ormuz.
“Estamos prestes a chegar a um acordo sobre uma rota aceitável para ambas as partes — nem a rota do norte nem a do sul —, respeitando os direitos soberanos de cada país e garantindo nossos interesses nacionais e nossa segurança”, declarou. Ele insistiu, no entanto, que o acordo não implicava a reabertura do estreito.







