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Exército do Paquistão nega rumores de golpe de Estado

Agus Morales.

Islamabad, 23 dez (EFE).- O chefe do Exército paquistanês, Ashfaq Parvez Kayani, garantiu nesta sexta-feira seu apoio à democracia e desmentiu os rumores de golpe de Estado, suscitados por causa das crescentes desavenças entre o poder civil e militar.

Em mensagem escrita a suas tropas, o general Kayani atribuiu os rumores de golpe militar a uma tentativa de distrair a atenção dos ‘assuntos importantes’.

Kayani reiterou que o Exército do Paquistão apoiou e seguirá apoiando o processo democrático no país, segundo o comunicado do comando, divulgado horas após o primeiro-ministro, Yousuf Raza Gillani, denunciar ‘conspirações’ contra seu governo.

‘O Exército está absolutamente a par de suas obrigações e responsabilidades constitucionais’, declarou o general em discurso pronunciado na região tribal de Mohmand, onde 24 soldados morreram em um ataque da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no final de novembro.

A nota destaca que o general acredita que, à margem de qualquer outra consideração, ‘não pode se comprometer a segurança nacional’. Essa foi a resposta de Kayani para as especulações sobre um eventual golpe de Estado, alimentadas pela recente hospitalização do presidente Asif Ali Zardari, que foi internado em Dubai por um suposto infarto, mas que já se encontra de volta a seu país.

A tensão entre o braço civil e militar fez com que o primeiro-ministro Guilani anunciasse nesta quinta-feira que todas as instituições paquistanesas estão sob as ordens do governo.

‘Um Estado dentro de um Estado não é aceitável’, declarou o primeiro-ministro, referindo-se a uma expressão usada frequentemente para falar do papel desempenhado pelo Exército e pelos serviços secretos nos segredos do poder paquistanês.

O Exército ostentou o poder durante mais da metade da história do Paquistão, a última após um golpe de Estado protagonizado em 1999 pelo general Pervez Musharraf, que foi presidente durante quase nove anos.

Analistas e fontes de segurança e inteligência consultadas pela Agência Efe concordam em dizer que o cenário de um golpe militar clássico é menos provável que um golpe ‘brando’ para derrubar Zardari, viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto. EFE