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Exército da Nigéria diz que não negociará com radicais de Boko Haram

Lagos, 25 jan (EFE).- O chefe do Estado-Maior do Exército da Nigéria, Onyeabor Ihejirika, afirmou que o Executivo nigeriano não vai negociar com o grupo terrorista radical islâmico Boko Haram sob nenhuma condição, informou nesta quarta-feira a imprensa local.

Em um ato em Abuja na terça-feira, Ihejirika afirmou que o Governo da Nigéria acredita que a guerra contra o terrorismo não pode ser vencida por meio da negociação.

‘Mesmo aplicando certas medidas, não vamos conseguir bom resultado até que toda a sociedade rejeite o terrorismo. Os que justificam estes atos estão apoiando os terroristas, e alguns só descobrem depois que o terrorismo não é um problema que possa ser negociado e resolvido’, advertiu Ihejirika.

Estas declarações contrastaram com as feitas na terça pelo prêmio Nobel de Literatura nigeriano, Wole Soyinka, que pediu um diálogo nacional que inclua todas as etnias do país para formar as bases de uma futura coexistência, especialmente depois do recente aumento dos ataques de Boko Haram.

‘É necessário um diálogo nacional. Se isto há um monólogo, uma série de monólogos que se tornarão mortíferos. Atualmente, estamos passando por um tipo de monólogo particularmente desestabilizador e desorientador’, disse em referência ao aumento dos atentados no norte do país, reivindicados pelo Boko Haram.

‘Isto afeta ambas as partes, chega até aqui. Está acontecendo no sul também’, disse durante um evento realizado na terça-feira em Lagos.

Vários homens armados atacaram na terça uma delegacia da cidade Kano, sem que até o momento fosse registrada alguma vítima.

Os ataques ocorreram apenas cinco dias depois que o Boko Haram praticou uma série de atentados em Kano, deixando ao menos 185 mortos, pelos números da polícia, enquanto a imprensa situa o número em 250.

O Boko Haram, cujo nome significa na língua local ‘a educação não islâmica é pecado’, luta supostamente para instaurar a lei islâmica (‘sharia’) no norte da Nigéria, de maioria muçulmana, enquanto o sul do país é predominantemente cristão.

O grupo radical foi responsável pelo atentado em 25 de dezembro a uma igreja de Madalla (centro) que matou 44 pessoas, e pelo ataque contra a sede da ONU em Abuja em agosto, que deixou 25 mortos.

De acordo com o relatório publicado na terça-feira pela organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW), o Boko Haram matou 935 pessoas na Nigéria desde julho de 2009.

Com mais de 150 milhões de habitantes de 200 grupos tribais, a Nigéria, o país mais povoado da África, sofre múltiplas tensões por suas profundas diferenças políticas, religiosas e territoriais. EFE