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Ex-preso de Guantánamo pede asilo para outros presos na Argentina

Sírio Jihad Ahmed Diyab é um dos seis detentos com histórico de serviços ao terror que receberam asilo no Uruguai em dezembro

Por Da Redação 12 fev 2015, 11h28

Um ex-detento de Guantánamo que foi acolhido como refugiado pelo Uruguai foi à Argentina pedir que o governo de Cristina Kirchner receba alguns dos outros detentos da prisão militar americana. Jihad Ahmed Mustafa Deyab deu entrevista a quatro veículos: Barricada TV, Resumen Latinoamericano, Radio Gráfica e Radio Madre, pertencente à associação Mães da Praça de Maio. Estava vestido com a roupa laranja dos prisioneiros de Guantánamo e falou em árabe, sendo traduzido para o espanhol por um tunisiano que mora na Argentina, segundo informou o jornal La Nación.

Por decisão do presidente José Mujica, o Uruguai acolheu em dezembro seis ex-detentos: três sírios, um tunisiano, um libanês e um palestino. Tratados como heróis pelo governo uruguaio e por parte da imprensa brasileira, os novos moradores do país vizinho não são, porém, vítimas inocentes da guerra ao terror empreendida pelos Estados Unidos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. Eles são jihadistas, ainda que de baixa patente. Todos passaram por campos de treinamento do grupo terrorista Al Qaeda ou possuíam conexões com o regime talibã, do Afeganistão.

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Deyab, de 43 anos, foi preso no Paquistão e serviu nas fileiras da Al Qaeda, tendo participado de operações na África e atuado como recrutador na Europa. Esse currículo serve para lembrar que ele e seus colegas foram soltos por razões políticas, não por ser inocentes. Em Montevidéu, ele e os outros ex-detentos foram abrigados em uma casa cedida por um sindicato. Os detalhes dos compromissos assumidos por Mujica não são públicos, mas sa­be-se que uma das exigências era que o grupo fosse impedido de deixar o Uruguai pelo prazo mínimo de dois anos. Mesmo que as autoridades uruguaias se empenhem em vigiar os terroristas, dificilmente serão capazes de impedir que eles saiam do país.

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Deyab, que desde 2013 fazia greve de fome e era alimentado à força por meio de um tubo inserido pelo nariz, lembrou disso na entrevista. “Os presos em Guantánamo sofrem muito. Antes de sair de lá estava em um lugar onde recebia comida à força, com um tubo que passava pelo nariz”, disse, alegando inocência. “Um companheiro de cela do Iêmen pediu para que eu nunca os esquecesse, e eu me emocionei muito. Nunca vou esquecer os companheiros que estão lá e é por isso que vim para aqui para lutar. O governo argentino, por exemplo, pode receber presos de Guantánamo aqui de forma humanitária”.

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Sobre o relatório do Senado americano sobre técnicas de tortura usadas pela CIA, ele disse ser “apenas política”. “Somos vítimas da política agressiva dos EUA”, afirmou, alegando ter sido torturado durante os doze anos que passou em Guantánamo. O ex-presidiário afirma que não quis voltar a seu país por causa da instabilidade, mas quer reencontrar a família o quanto antes — só não detalhou o lugar onde pretende fixar residência.

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O presidente Barack Obama se comprometeu a fechar a prisão de Guantánamo antes de concluir seu segundo mandato, em 2016. Após as transferências e libertações, são 122 os detidos que permanecem em Guantánamo, a maioria de nacionalidade iemenita. No total, em 2014 foram transferidos 28 prisioneiros, incluindo seis que foram recebidos pelo Uruguai, o segundo país latino-americano que admitiu receber detidos desta prisão depois de El Salvador, que em 2012 recebeu como refugiados dois presos uigures, que posteriormente deixaram o país.

(Com agências EFE e Reuters)

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