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Ex-presidente sul-coreana é condenada a 24 anos de prisão por corrupção

Park Geun-hye foi condenada por forçar diversas empresas do país a doarem para fundações controladas por sua amiga

Por Da redação Atualizado em 6 abr 2018, 16h08 - Publicado em 6 abr 2018, 13h16

A ex-presidente sul-coreana, Park Geun-hye, foi condenada nesta sexta-feira a 24 anos de prisão por um escândalo de corrupção, ponto final da dramática queda da primeira mulher eleita chefe de Estado na Coreia do Sul. A sentença acaba com mais de dez meses de julgamento, no qual Park foi considerada culpada em várias acusações, entre elas abuso de poder e corrupção.

Park foi destituída e detida em março de 2017 em função de uma série de suspeitas que revelaram as relações ilícitas entre o poder político e os grandes conglomerados. O juiz Kim Se-yoon afirmou que Park forçou as empresas sul-coreanas a pagar dezenas de milhões de wones (moeda sul-coreana) a duas fundações controladas por sua confidente e amiga íntima de quarenta anos Choi Soon-sil em troca de favores políticos.

“A acusada usou de maneira ilegal sua autoridade presidencial a pedido de Choi para obrigar as empresas a dar dinheiro para suas fundações”, afirmou o magistrado. “As empresa foram obrigadas a dar somas importantes de dinheiro e a acusada deixou Choi controlar as fundações quando não tinha direito de fazê-la”, acrescentou.

Os enormes conglomerados sul-coranos (‘chaebols’), em mãos de importantes famílias e com estruturas muito complexas são o motor da economia do país. Grupos como Samsung e Hyundai tiveram um papel crucial no “milagre econômico” dos anos 1960 e 1970, que transformou um país destruído pela guerra.

A filha mais velha do ditador militar Park Chung-hee chegou ao cargo de presidente apresentando-se como “incorruptível filha da nação”. Ela cresceu no Palácio Presidencial, onde seu pai dirigiu o país de 1961 até seu assassinato, em 1979. Durante décadas foi considerada como a “princesa” política do país.

  • Manifestações

    A queda da presidente conservadora ocorreu depois de manifestações em massa em todo o país e precipitou eleições antecipadas em maio de 2017, vencidas pelo candidato de centro-esquerda Moon Jae-in.

    A promotoria pedia trinta anos de prisão para Park, de 66 anos, e que boicotou em grande parte as audiências durante os dez meses que durou seu processo, acusando o tribunal de parcialidade.

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    Levando em conta o grande interesse que o caso gerou na Coreia do Sul, o anúncio da sentença foi transmitido ao vivo pela televisão, algo pouco comum no país.

    A ex-presidente, que enfrentava dezoito acusações, provocou a ira de uma parte importante da população, pois o caso atiçou o sentimento popular contra os privilégios das elites e das poderosas famílias ao comando dos grandes conglomerados da décima primeira economia mundial.

    Choi, também julgada em outro processo pelo mesmo tribunal, foi condenada em fevereiro a vinte anos de prisão.

    Park está em prisão preventiva há um ano na prisão de Seul e começou a boicotar o julgamento em outubro, depois que teve negada a possibilidade de ser liberada sob fiança. Desde então, se nega a receber visitas, inclusive da família, com exceção de seus dois advogados.

    A ex-presidente poderá recorrer da condenação, mas continuará detida até que seja realizado um novo processo. Também pode solicitar o indulto presidencial, mas os especialistas opinam que é pouco provável que seja concedido a ela.

    A ex-presidente é o terceiro chefe de Estado sul-coreano a ser condenado depois de perder o mandato. Um deles se matou enquanto era investigado sob acusações de corrupção, enquanto o antecessor de Parker, Lee Myung-bak, foi preso no mês passado pelo mesmo motivo. Ele disse sofrer perseguição política.

    (Com Estadão Conteúdo)

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