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Ex-presidente da Guatemala já tem um culpado pelos seus erros: os EUA

Otto Pérez Molina renunciou após ser acusado de corrupção e ter embolsado milhões de dólares

O ex-presidente guatemalteco Otto Pérez Molina, que se demitiu do cargo depois de sérias denúncias de corrupção e crimes, tem na ponta da língua uma desculpa para sua derrocada: é tudo culpa dos Estados Unidos. Nesta quarta-feira, Pérez Molina voltou a recitar velha cartilha latino-americana que insiste em culpar os EUA por erros cometidos pelos políticos em seus próprios países. Para o ex-presidente, o governo americano ajudou a derrubá-lo interferindo no país e endossando uma comissão anticorrupção apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Um juiz da Guatemala ordenou na terça-feira que Pérez Molina – acusado de associação criminosa, aceitar suborno e fraudes alfandegárias – permaneça na prisão enquanto aguarda julgamento sobre o escândalo que alimentou uma crise política antes da eleição presidencial. O Ministério Público da Guatemala e o órgão anticorrupção apoiado pela ONU, a Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala (CICIG), se posicionaram contra Pérez Molina depois de meses de investigações e conclusões extraídas de cerca de 89.000 escutas telefônicas, quase 6.000 e-mails e dezessete operações de revista. “Neste momento, nós vemos a CICIG como uma interferência dos Estados Unidos”, disse Pérez Molina à filial em espanhol da CNN, em uma entrevista na prisão militar onde está sendo mantido.

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Em uma série de reuniões que começou no início deste ano, o governo dos EUA pressionou o então presidente da Guatemala a livrar sua administração de funcionários suspeitos, renovar o mandato da CICIG e combater a corrupção. O governo não ouviu a recomendação dos americanos e o Ministério Público guatemalteco começou a enquadrar os corruptos. Ao lhe perguntarem se acreditava que os Estados Unidos haviam ajudado a derrubá-lo, pressionando pela investigação e corrupção, ele disse: “Sim, com certeza”.

Pérez Molina, de 64 anos, um veterano general reformado foi eleito no final de 2011 com a promessa de combater o crime e a corrupção. Ele renunciou ao cargo de presidente na semana passada, quando a Guatemala se encaminhava para a eleição presidencial, que terá um segundo turno. Ele está detido na prisão enquanto aguarda uma audiência sobre as acusações de que embolsou milhões de dólares com contrabando.

(Da redação)