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Ex-premier israelense Olmert considerado culpado de corrupção

Por Jack Guez - 10 jul 2012, 11h00

Um tribunal de Jerusalém considerou nesta terça-feira o ex-primeiro-ministro israelense Ehud Olmert culpado de corrupção, mas o absolveu de outras duas acusações, no fim de um processo acompanhado com muito interesse.

Olmert, 66 anos, pode ser condenado a prisão. A sentença será pronunciada em 5 de fevereiro, segundo o tribunal distrital da cidade.

O ex-premier foi declarado culpado de corrupção no caso do “Centro de Investimentos”, um organismo oficial de ajuda com o qual favoreceu empréstimos e garantias oficiais em benefício de empresas administradas por Uri Messer, seu ex-sócio em um escritório de advocacia, quando era ministro da Indústria e Comércio (2003-2006).

“O acusado tinha muita simpatia por Messer, e se preocupou com ele. Se trata de um conflito de interesses”, afirma o veredicto em uma de suas considerações.

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O veredicto tem mais de 700 páginas. Quase 280 testemunhas foram ouvidas em mais de dois anos.

De acordo com Mosheh Hanegbi, analista de questões jurídicas da rádio pública, a sentença pode ser considerada infamante, o que privaria Olmert durante sete anos de uma eventual participação na política.

Em 5 de janeiro de 2012, Olmert também foi indiciado por corrupção no escândalo imobiliário de Jerusalém conhecido como “Holyland”, por acusações atribuídas quando era prefeito da cidade.

Pelo menos 15 políticos estão acusados nos três processos que continuam em curso.

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Olmert, no entanto, pode comemorar a absolvição pelo “benefício da dúvida” de outras duas acusações de corrupção, vinculadas aos casos “Talansky” e “Rishon Tours”.

“Os casos Talansky e Rishon Tours estavam no centro das acusações contra mim, e saí limpo nos dois casos. Tudo era falso”, declarou Olmert à imprensa.

Além disso, Olmert minimizou o veredicto no caso do Centro de Investimentos, por considerar que a decisão correspondia a “um comportamento errôneo (de sua parte) de acordo com o procedimento”.

No caso Morris Talansky, o ex-premier era acusado de ter recebido centenas de milhares de dólares deste empresário judeu americano em troca de favores por seu cargo de ministro.

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No processo “Rishon Tours”, nome de uma agência de viagens de Jerusalém, Olmert era acusado de ter recebido reembolsos de pelo menos 17 viagens ao exterior dele e de familiares, apresentando separadamente as faturas ao Estado e a diversas organizações públicas beneficentes.

Declarando ser vítima de uma “caça às bruxas”, Olmert sempre alegou inocência.

Ex-dirigente do partido Kadima, Olmert foi obrigado a renunciar ao posto de chefe de Governo em 21 de setembro de 2008, quando a polícia recomendou seu indiciamento na série de casos.

Olmert é alvo constante da justiça, o que lhe valeu o apelido na imprensa israelense de “suspeito em série”.

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Outras personalidades políticas israelenses foram condenadas recentemente, em particular o ex-presidente Mosheh Katzav e o ex-ministro das Finanças Avraham Hirshson, que cumprem respectivamente sete anos de prisão por estupro e cinco anos e cinco meses por fraude de recursos públicos.

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