Ex-editor diz que princesa Diana passou telefones da família real para tabloide

Clive Goodman declarou à Corte que julga o caso de escutas telefônicas ilegais do 'News of the World' que a princesa procurava um “aliado” na imprensa

Por Da Redação - 13 mar 2014, 19h02

A princesa Diana revelou os números telefônicos da realeza britânica para o tabloide News of the World. A declaração foi feita pelo ex-editor de assuntos ligados à família real britânica do extinto jornal, Clive Goodman, durante audiência no tribunal que investiga as escutas clandestinas feitas pelo tabloide. Durante o seu testemunho, o ex-editor disse que Diana procurava um aliado na imprensa contra o príncipe Charles para mostrar as “forças que se opunham a ela” diante da “incômoda situação” a seu ex-marido a submetia.

“Ela enfrentava uma situação muito difícil com o príncipe Chales naquele momento. Ela sentia que estava sendo sufocada por pessoas próximas a ele. Estava buscando um aliado para mostrar exatamente o tipo de forças que se opunham a ela, para colocar a imprensa do seu lado”, disse Goodman, que chegou a ser preso em 2007 por envolvimento no escândalo.

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Entenda o caso

  1. • O tabloide News of the World recorria a detetives e escutas telefônicas em busca de notícias exclusivas – entre as vítimas estão celebridades, políticos, membros da família real e até parentes de soldados mortos.
  2. • Policiais da Scotland Yard também teriam sido subornados para fornecer informações em primeira mão aos jornalistas.
  3. • O escândalo forçou o fechamento do jornal sensacionalista, que circulou por 168 anos e era um dos veículos do grupo News Corp., do magnata Rupert Murdoch.
  4. • Agora, a polícia investiga uso de grampos ilegais em outros jornais britânicos.

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Diana teria vazado a lista com os telefones em 1992, mesmo ano em que se separou do príncipe de Gales – o divórcio só foi assinado em 1996, um ano antes de sua morte. Os números fornecidos por Diana foram usados por Goodman para obter informações exclusivas para histórias publicadas pelo tabloide.

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O ex-editor destacou alguns dos episódios em que os contatos foram úteis para o tabloide. Entre eles estava a noite do acidente de carro que vitimou Diana, quando, segundo Goodman, a assessoria de imprensa da realeza “foi inútil”.

Goodman, no entanto, negou que tenha utilizado os números telefônicos para grampear a família real. Ele ainda responde à acusação de conspiração para que um ocupante de um cargo público tivesse conduta inadequada – acusação que o ex-editor nega.

Rebekah Brooks – Antes de ouvir Goodman, o tribunal recebeu a mãe de Rebekah Brooks, ex-editora do News of the World, Milly Dowler. A mulher disse à Corte que a filha pediu a ela para não assistir às notícias que estavam sendo veiculadas sobre o caso de grampos ilegais. “Eu estou muito preocupada com você”, respondeu Milly em uma série de mensagens enviadas por telefone. Rebekah foi absolvida recentemente da acusação de subornar funcionários públicos, mas ainda responde a quatro acusações criminais, sendo uma por interceptar ligações de telefones celulares, outra por suborno e duas por obstrução da Justiça.

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(Com Estadão Conteúdo)

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