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Ex-ditador panamenho Noriega irá novamente a julgamento

O ex-ditador panamenho Manuel Antonio Noriega, extraditado da França no domingo, enfrentará um jovo julgamento em seu país pelo desaparecimento em 1970 do sindicalista de esquerda Heliodoro Portugal, anunciou nesta segunda-feira uma fonte judicial.

“Estavam esperando que Noriega chegasse ao Panamá para cumprir alguns requisitos, entre eles a notificação (convocação para o julgamento) no caso de Heliodoro Portugal”, informou o presidente da Corte Suprema de Justiça panamenha, Aníbal Salas.

Salas afirmou que essa notificação seria feita “nos próximos dias”.

Portugal desapareceu em maio de 1970, quando Noriega era o chefe dos órgãos de inteligência e espionagem do regime militar (1968-1989), que na época era liderado pelo general e líder nacionalista Omar Torrijos.

Os restos mortais de Portugal foram encontrados enterrados em um quartel em 1999.

Noriega tem no Panamá três condenações pendentes de 20 anos cada uma por desaparecimento de opositores, e pelos assassinatos do médico e guerrilheiro opositor ítalo-panamenho Hugo Spadafora e o major Moisés Giroldi, que tentou dar um golpe de Estado em 1989.

A França havia descartado um terceiro pedido de extradição pelo caso de Portugal, por considerá-lo prescrito.

“Na França, os juízes já declararam este caso prescrito ao aplicar a lei panamenha”, pelo que os tribunais panamenhos “deveriam fazer o mesmo”, disse à AFP o advogado de Noriega no Panamá, Julio Berríos.

Na província panamenha de Chiriquí, as autoridades investigam outros dois desaparecimentos nos quais Noriega poderá ser envolvido.