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Ex-ditador do Sudão é transferido para prisão por militares

Golpe na semana passada derrubou Omar Bashir do poder depois de trinta anos; governo de Uganda estudo oferecer asilo político

O ex-ditador do Sudão Omar Bashir foi transferido na madrugada desta quarta-feira, 17, para uma prisão de segurança máxima em Cartum, na capital do país. As informações são de um parente do ditador, deposto após três décadas por um golpe militar no último dia 11 de abril após meses de protestos populares.

Nos últimos dias, segundo a imprensa local, Bashir estava em prisão domiciliar sob forte escolta das Forças Armadas. Agora, depois da transferência, o político de 75 anos está confinado em uma solitária com vigilância reforçada.

Depois do anúncio da detenção, o ministro das Relações Exteriores de Uganda, Henry Oryem Okello, afirmou que, sob solicitação, o governo do país africano estuda a possibilidade de oferecer asilo político ao ex-ditador, ignorando o mandado de prisão expedido contra ele pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia.

O TPI acusa Bashir de genocídio e crimes contra a humanidade por seu papel no conflito na região de Darfur, alegações que ele rejeita. Os manifestantes sudaneses, mobilizados desde dezembro de 2018 contra o regime, exigem o julgamento do ex-presidente, que ficou no poder durante trinta anos.

Como membro do TPI, submetido às regras do Estatuto de Roma, Uganda teria que entregar Bashir às autoridades internacionais se ele tentasse entrar em seu território.

Em um primeiro momento, o governo de transição do Sudão, formado pelos mesmos militares que deram o golpe de Estado, afirmou que não extraditaria Bashir em nenhuma hipótese. Já na segunda-feira 15 o general Jalaludin Sheikh recuou, afirmando que a decisão deveria ser tomada por “um governo eleito e não pelo Conselho Militar”.

Junta militar

A falta de estabilidade marca a administração transitória do Sudão. Na terça-feira 16, a liderança do conselho foi transferida para o general Abdel Fattah Abdelrahman Burhan, mudando de mãos pela terceira vez desde a destituição do ex-líder.

Em um pronunciamento televisionado na última segunda 15, o ministro da Defesa da junta militar, Awad Ibn Ouf, declarou que as Forças Armadas supervisionarão um período de transição de dois anos. Ele também anunciou o início de um estado de emergência de três meses. Na última sexta-feira 12 o Conselho Militar já havia garantido que o futuro governo do Sudão será civil. 

Os manifestantes contra o regime de Bashir continuam seus protestos depois da deposição, voltando seus esforços contra o governo transitório, formado por vários aliados militares do ditador. Os atos contra o antigo governo começaram em dezembro, depois da decisão de triplicar o preço do pão em um país mergulhado na crise econômica mas rapidamente se transformaram em um movimento contra Bashir.

(Com agências France-Presse e Reuters)