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Ex-diretor da Odebrecht confirma repasse de propina a Keiko Fujimori

Em Curitiba, Jorge Barata delata a procuradores peruanos os pagamentos aos ex-presidentes Alan García e Ollanta Humala pela construtora brasileira

Por Da Redação - Atualizado em 3 out 2019, 14h10 - Publicado em 3 out 2019, 12h53

Ex-diretor-executivo da Odebrecht no Peru, o brasileiro Jorge Barata identificou nesta quarta-feira, 3, os políticos peruanos que constavam de uma planilha do setor de pagamento de propinas no Brasil e no exterior da construtora brasileira, o Departamento de Operações Estruturadas. Barata prestou depoimento a procuradores peruanos em Curitiba, sede da operação Lava Jato.

Segundo o jornal peruano El Comércio, que cita fontes com conhecimento do depoimento de Barata, o ex-diretor afirmou que entre os políticos que receberam propina para financiar suas campanhas estão os ex-presidentes Alan García, que se matou em abril ao receber ordem de prisão, e Ollanta Humala. Também citou Keiko Fujimori, líder da oposição que já está presa por corrupção e filha do ex-ditador Alberto Fujimori.

O dinheiro destinado a Keiko e Humala, que disputaram as eleições presidenciais de 2011, ganhou o codinome “Campanha Nacional” em uma das planilhas do departamento de propinas da Odebrecht, segundo o jornal peruano. Já Alan García foi identificado como “Apra”, a sigla de seu partido, o Aliança Popular Revolucionária Americana.

Humala e sua mulher, Nadine Herédia, chegaram a ser detidos preventivamente por envolvimento com os esquemas investigados pela Lava Jato, mas deixaram a cadeia em maio deste ano.

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Além dos três, o ex-diretor da Odebrecht confirmou nesta quinta-feira que fez pagamentos ao também ex-presidente Alejandro Toledo, que está preso nos Estados Unidos enquanto aguarda o julgamento de sua extradição ao Peru, e a dois ex-primeiros-ministros do segundo governo de García, Yehude Simon e Javier Velásquez Quesquén.

O depoimento terminou sem que Barata desse todas as informações que os promotores peruanos queriam receber hoje. Segundo Rafael Vela, líder da equipe do Ministério Público do Peru, o interrogatório teve de ser suspenso por “dificuldades logísticas”. “Houve entrega de informação parcial e amanhã retomaremos (sem Barata), com a presença do procurador federal (do Brasil) Orlando Martello”, disse Vela.

Já o advogado de Barata, Carlos Kauffmann, explicou que não houve “condições materiais” para a busca de novas informações por causa das “dificuldades financeiras da empresa” para enviar um sistema de dados que está sob custódia do Ministério Público. “Precisamos de condições e auxílio material para poder trazer a Curitiba novas informações”, disse Kauffmann.

No último dia 16 de fevereiro, os promotores peruanos assinaram um acordo com a Odebrecht, em São Paulo. A empresa se comprometeu a entregar documentos “valiosos” ao Ministério Público do Peru e o equivalente a 185 milhões de dólares ao governo do país como reparação.

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Segundo os promotores, Barata se comprometeu a colaborar, apesar da situação complexa vivida no Peru. O Congresso foi dissolvido pelo presidente do país, Martín Vizcarra, e os legisladores responderam com a destituição temporária do chefe de governo por “incapacidade moral”.

Entre os vários dos 71 codinomes ainda não identificados, suspeita-se que esteja o de parlamentares do Congresso dissolvido, inclusive o de alguns que tentaram sair do país nas últimas horas.

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