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Ex-diplomata acusado de violência contra mulheres é preso em Brasília

Renato Ávila Viana foi demitido do Itamaraty; ele responde a dois processos por agredir uma ex-namorada e uma colega diplomata

O ex-diplomata Renato de Ávila Viana, acusado de agredir ao menos duas mulheres, foi preso preventivamente pela Polícia Civil do Distrito Federal na terça-feira (16).

Viana foi demitido do Ministério das Relações Exteriores (MRE) em setembro, ao fim de um longo processo administrativo. Ele ocupava a posição de  primeiro-secretário do Itamaraty.

O ex-diplomata é acusado de ter agredido uma ex-namorada e uma colega de trabalho. O mandado de prisão foi autorizado pelo Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher do Núcleo Bandeirante.

Segundo o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), o objetivo da prisão é “garantir a ordem pública”, já que o Juizado recebeu informações sobre outras agressões contra mulheres cometidas por Viana.

Pouco antes de sua demissão ser publicada pelo Itamaraty no Diário Oficial da União (DOU), Viana foi detido pela Polícia Militar por agredir sua mulher. Os policiais arrombaram a porta de seu apartamento em Brasília depois de terem recebido denúncias de vizinhos sobre os gritos de socorro. Na ocasião, ele foi autuado por desacato, lesão corporal e violência doméstica, mas acabou liberado ao  pagar fiança de 1.000 reais.

As agressões

O ex-diplomata responde pela agressão de duas mulheres na Justiça de Brasília. Uma delas, sua ex-namorada, relata ter perdido um dente ao ser golpeada pelo diplomata no ano passado. Ela teve de passar por uma cirurgia plástica reparadora. Em outro caso, ele foi acusado de agredir fisicamente uma colega diplomata.

Além disso, há registros de outras agressões contra outras mulheres nos períodos em que serviu o Itamaraty no exterior. O caso chocou a diplomacia brasileira e resultou na mobilização de mulheres diplomatas e oficiais e assistentes de chancelaria.

A VEJA, Ávila disse lamentar muito seus excessos na vida privada e que nada justifica nenhum tipo de violência. “Respondo por meus atos na Justiça”, afirmou ele, que não concordou com sua demissão do Itamaraty por como improbidade admistrativa.

Segundo afirmou, não irá recorrer na Justiça para ser reintegrado no Ministério, embora tenha considerado algumas medidas aplicadas contra ele como “assédio moral”.

Viana respondeu a dois processos administrativos no Itamaraty por causa de suas agressões a mulheres e a questões relacionadas ao regerenciamento de fundos públicos. Posteriormente, o caso foi levado à Corregedoria do Serviço Exterior, o órgão que investiga denúncias contra funcionários do órgão. O processo levou à sua demissão.

Viana formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo antes de ingressar no Itamaraty.