Ex-chefe de inteligência da Venezuela é preso em Aruba a pedido dos EUA

Antigo homem de confiança de Hugo Chávez, Hugo Carvajal é acusado pelos americanos de envolvimento com atividades de tráfico de drogas das Farc

Por Da Redação - 25 jul 2014, 07h50

A polícia de Aruba prendeu o ex-diretor de inteligência militar da Venezuela Hugo Carvajal a pedido dos Estados Unidos, que o acusam de ligações com as Farc e de tráfico de drogas. Carvajal, um general aposentado, foi designado em janeiro como cônsul da Venezuela em Aruba, mas segundo as autoridades da ilha, um território autônomo insular do reino da Holanda, ainda não havia assumido oficialmente o cargo, o que lhe garantiria imunidade diplomática. Agora, ele corre o risco de ser extraditado para os EUA, onde poderá ser julgado.

Segundo a rede britânica BBC, o governo de Aruba vinha resistindo à indicação do general para o cargo por causa das acusações que pairavam sobre ele. Não se sabe exatamente por que Carvajal viajou para Aruba. Sua prisão ocorreu na quarta-feira à noite, no aeroporto internacional Rainha Beatrix.

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Em 2008, o Departamento do Tesouro americano apontou Carvajal e o ex-ministro da Defesa da Venezuela, Henry Rangel Silva, como “chefões da droga” e os acusou de contribuir com atividades do narcotráfico das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no envio de cocaína para os EUA.

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De acordo com o The Wall Street Journal, o Departamento de Estado dos EUA planeja solicitar a extradição de Carvajal, mas o processo deve ser longo. Segundo a promotoria de Aruba, o governo americano têm um prazo de 60 dias para enviar o pedido. Nicolás Maduro ficou furioso com a prisão e classificou a ação como “ilegal e arbitrária”.

“O governo da República Bolivariana da Venezuela repudia energicamente a detenção ilegal e arbitrária do funcionário diplomático venezuelano, portador de passaporte que o credita como tal”, disse a chancelaria em um comunicado.

Carvajal chefiou a Direção de Inteligência Militar da Venezuela entre 2004 e 2009 e era considerado um dos homens de confiança do antigo presidente Hugo Chavéz, com quem cumpriu pena depois de uma malfada tentativa de golpe em fevereiro de 1992. Sua ligação com as Farc apareceu em documentos e em um computador apreendidos pelo exército colombiano durante uma operação militar contra a guerrilha em 2007.

Juiz – Na última sexta-feira, autoridades americanas prenderam um ex-juiz venezuelano que havia viajado para Walt Disney World, na Flórida, com sua família, em outro caso relacionado com Carvajal. Benny Palmeri-Bacchi, de 46 anos, compareceu nesta quinta-feira em uma corte de Miami. Segundo a promotoria americana, ele aceitou subornos de um traficante colombiano e o ajudou a enviar toneladas de cocaína para os EUA. Neste caso, o ex-juiz também teria atuado em conjunto com Rodolfo McTurk, o ex-chefe da Interpol na Venezuela, que é procurado pelos EUA.

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(Com agência Reuters)

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