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Ex-agente do FBI é condenado por vazamento de dados

Donald Sachtleben foi descoberto após a administração do presidente Barack Obama interceptar registros telefônicos de jornalistas da agência de notícias AP

Por Da Redação 14 nov 2013, 20h56

O ex-especialista em explosivos do FBI Donald Sachtleben foi condenado nesta quinta-feira a três anos e sete meses de prisão por ter vazado dados secretos para a agência de notícias americana Associated Press, informou o jornal The Guardian. O aposentado de 55 anos também pegou oito anos e um mês por posse e distribuição de pornografia infantil, totalizando onze anos e oito meses em regime fechado.

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Sachtleben foi identificado com a interceptação, determinada pelo governo do presidente Barack Obama, dos registros de mais de 20 linhas telefônicas usadas por sucursais da agência e jornalistas. Ele havia revelado detalhes de uma operação da CIA no Iêmen que impediu uma ação da Al Qaeda para explodir um avião com destino aos Estados Unidos.

O juiz responsável pelo caso, William T. Lawrence, disse que Sachtleben “claramente traiu a sua nação”. Com a pena imposta ao ex-policial, sobe para oito o número de condenados com base na lei de espionagem, que visa impedir o vazamento de informações sigilosas ao público – apenas três casos foram registrados durante a gestão de todos os outros presidentes americanos.

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Os promotores afirmaram que iniciaram a investigação contra Sachtleben pelos arquivos pornográficos que ele carregava e só tomaram conhecimento de seu envolvimento no vazamento de informações após interceptarem os registros telefônicos da AP.

O ex-agente do FBI deu um depoimento de vinte minutos antes de ouvir a condenação. Ele se desculpou com a família, amigos e os antigos colegas da polícia federal por “ter quebrado os laços de confiança”. Sachtleben não explicou os motivos que o levaram a vazar as informações, limitando-se a dizer que “nunca foi a minha intenção lucrar com isso”. Disse também que nenhum ex-colega o ajudou com os vazamentos. “Eu quero deixar absolutamente claro que o crime que eu cometi é responsabilidade minha.”

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Investigação – Após a repercussão do caso, o jornal The Washington Post publicou uma reportagem que acusava o Departamento de Justiça de vasculhar e-mails e interceptar registros telefônicos do correspondente da rede de televisão Fox News em Washington, James Rosen. O jornalista foi classificado pelo FBI como “cúmplice de conspiração” após obter e publicar informações de documentos confidenciais sobre um teste nuclear que a Coreia do Norte faria em resposta a uma resolução da ONU condenando experiências anteriores, em 2009.

Na tentativa de rebater as contestações feitas à administração Obama, o secretário de justiça, Eric Holder, chegou a ser acusado de perjúrio durante uma audiência no Congresso por negar envolvimento em qualquer “potencial perseguição” a Rosen. Segundo o The New York Times, a renúncia do secretário chegou a ser arquitetada dentro da Casa Branca, mas perdeu força após Snowden escancarar a vasta rede de espionagem orquestrada pelo governo Obama.

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