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Europa enfrenta o desafio de cobrir rombos nas contas públicas

Com déficit recorde, britânicos decidem corte de meio milhão de vagas no setor público. Na Espanha, governo muda para aprovar reformas e reverter a crise

Por Da Redação - 20 out 2010, 11h04

De acordo com o ministro britânico George Osborne, cerca de 490.000 empregos do setor público serão cortados nos próximos quatro anos

A Europa está adotando medidas amargas para tentar resolver um desafio de proporções monumentais. Algumas de suas principais economias enfrentam rombos inéditos nas contas públicas. E a necessidade urgente de reduzir o déficit orçamentário está motivando decisões difíceis – mas inevitáveis – em países cuja saúde financeira é imprescindível para o continente inteiro.

Na Grã-Bretanha, o governo anunciou nesta quarta-feira que o déficit público chegou a 20,7 bilhões de libras (32,6 bilhões de dólares), o maior da história. Um ano antes, ele era de 19,2 bilhões. Os economistas foram pegos de surpresa: eles previam uma redução do déficit para cerca de 15 bilhões de libras. A situação alarmante das contas públicas levou o governo a anunciar providências radicais já nesta quarta.

De acordo com o ministro da Economia, George Osborne, cerca de 490.000 empregos do setor público serão cortados nos próximos quatro anos. A medida faz parte de um pacote de revisão completa de gastos. “Isso é inevitável quando o país fica sem dinheiro”, disse Osborne ao apresentar o plano de corte de gastos mais rigoroso da história do país – que tem o maior déficit da União Europeia.

Espanha – Também nesta quarta, o chefe do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, anunciou uma reforma profunda de seu gabinete ministerial. Zapatero está com a popularidade em baixa, resultado dos efeitos da crise econômica no país. Segundo o primeiro-ministro, “o governo vai se dedicar, com um esforço renovado, a uma tarefa prioritária: completar as reformas econômicas e sociais necessárias para recuperar a economia”.

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A remodelação entra no contexto de um duro pacote de cortes adotado recentemente para tentar reduzir o déficit e o índice de desemprego de 20%. A reforma, que altera alguns dos principais nomes do governo, acontece a poucos meses das eleições municipais e regionais de 2011. As próximas legislativas acontecerão apenas em 2012, e uma pesquisa recente mostrou que o eleitorado da oposição cresceu desde que Zapatero chegou ao poder.

França – Também envolvidos num grande impasse provocado pela necessidade de reformas, os franceses ouviram de seu presidente, Nicolas Sarkozy, mais uma promessa de enfrentar os opositores das reformas necessárias para encolher o rombo nas contas públicas. De acordo com informações divulgadas na manhã desta quarta, Sarkozy ordenou o desbloqueio dos depósitos de combustível ocupados nos protestos contra a reforma da aposentadoria.

Sarkozy reiterou que a reforma da aposentadoria seguirá “até o fim”, apesar das greves e manifestações, e advertiu para as consequências dos protestos sobre o emprego e a atividade econômica. “O projeto será levado adiante, já que meu dever como chefe de estado é garantir aos franceses que eles e seus filhos poderão contar com sua aposentadoria e que o nível das pensões será mantido”, avisou.

(Com agências France-Presse e Reuters)

Leia no Blog de Paris, por Antonio Ribeiro:

As refinarias de Donges, Mans e La Rochelle, foram liberadas pela policia durante a madrugada sem grandes incidentes, mas as nove restantes continuam cercadas por caminhões tanques e piquetes de grevistas arregimentados pelas centrais sindicais. Quatro entre dez franceses acham a reforma no sistema de aposentadorias injusto, mas a maioria deles é contra o bloqueio ilegal das refinarias e dos depósitos de combustíveis que lhes complica o cotidiano.

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