EUA vão impor ‘sanções mais duras da história’ ao Irã, diz secretário do Tesouro
Segundo Scott Bessent, objetivo é exercer 'pressão máxima' para forçar queda do regime iraniano
O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta quinta-feira, 20, que irá impor as sanções econômicas mais severas da história contra o Irã. Segundo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, o objetivo da medida é exercer “pressão máxima” para forçar a queda do regime de Teerã, sugerindo que o sufocamento econômico pode reduzir a necessidade de futuras operações militares em larga escala.
A ofensiva segue a promessa do presidente Donald Trump de iniciar uma guerra econômica sem precedentes. O republicano alertou que qualquer país que forneça “qualquer tipo de elo vital” ao Irã enfrentará “consequências econômicas tremendas”. Detalhes específicos sobre a implementação das novas medidas devem ser esclarecidos por Bessent em uma coletiva de imprensa na próxima segunda-feira, 24.
O secretário descreveu a estratégia como um “golpe duplo”, combinando as novas sanções ao bloqueio naval imposto pelos EUA em abril. Washington busca paralisar o transporte pelo Estreito de Ormuz, via por onde passava cerca de 20% do petróleo mundial antes de fevereiro, data do início dos ataques americanos e israelenses contra o Irã, que desencadearam a guerra atual.
O anúncio provocou uma alta imediata nos preços do petróleo, que atingiram o maior valor em mais de três semanas. O setor energético tem sido severamente afetado pelo conflito entre EUA e Irã, que já dura seis meses e já resultou em milhares de mortes e na retenção de milhões de barris de petróleo no Oriente Médio.
Os EUA sinalizaram que podem visar nações que mantêm laços comerciais com o Irã, com foco especial na China, que adquire mais de 80% do petróleo exportado pelos iranianos. Bessent defendeu que os chineses, que obtêm metade de sua energia do Golfo, seriam beneficiados ao aderir ao programa americano.
Além disso, o governo Trump ameaçou intervir em negociações diplomáticas paralelas entre o Irã e Omã sobre a gestão do Estreito de Ormuz. O presidente chegou a sugerir o uso de força militar contra o estado do Golfo, tradicional aliado americano, caso este “atrapalhe” os planos dos EUA.
Reação iraniana
O governo do Irã condenou duramente as medidas, classificando-as como “terrorismo econômico” que visa atingir cidadãos comuns e constitui um crime contra a humanidade.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que Trump utiliza a agressividade externa para desviar o foco da opinião pública de problemas financeiros internos dos EUA, como o endividamento recorde e a alta das taxas de juros.
O Irã vive sob sanções econômicas americanas de forma quase contínua desde a Revolução Islâmica de 1979. Apesar da nova escalada, acordos de cessar-fogo tentados em abril e junho deste ano fracassaram rapidamente, e Trump ainda não atingiu objetivos centrais, como o desmantelamento total do programa nuclear iraniano.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, também afirmou que os americanos recorreram a uma “guerra econômica” depois de não alcançar seus objetivos através da ofensiva militar.
“Eles afirmam que o Irã está à beira da derrota e pendurado por um fio, mas estão implorando a todos os seus aliados para ajudá-los”, disse Gharibabadi. “O problema são os erros de cálculo deles. Cada vez que eles tentam encobri-los, eles acabam criando um fracasso ainda maior para si mesmos”, acrescentou.







