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EUA vão impor ‘sanções mais duras da história’ ao Irã, diz secretário do Tesouro

Segundo Scott Bessent, objetivo é exercer 'pressão máxima' para forçar queda do regime iraniano

Por Luiza Zubelli 20 ago 2026, 17h34
EUA vão impor ‘sanções mais duras da história’ ao Irã, diz secretário do Tesouro Priorizar nos meus resultados Google

O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta quinta-feira, 20, que irá impor as sanções econômicas mais severas da história contra o Irã. Segundo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, o objetivo da medida é exercer “pressão máxima” para forçar a queda do regime de Teerã, sugerindo que o sufocamento econômico pode reduzir a necessidade de futuras operações militares em larga escala.

A ofensiva segue a promessa do presidente Donald Trump de iniciar uma guerra econômica sem precedentes. O republicano alertou que qualquer país que forneça “qualquer tipo de elo vital” ao Irã enfrentará “consequências econômicas tremendas”. Detalhes específicos sobre a implementação das novas medidas devem ser esclarecidos por Bessent em uma coletiva de imprensa na próxima segunda-feira, 24.

O secretário descreveu a estratégia como um “golpe duplo”, combinando as novas sanções ao bloqueio naval imposto pelos EUA em abril. Washington busca paralisar o transporte pelo Estreito de Ormuz, via por onde passava cerca de 20% do petróleo mundial antes de fevereiro, data do início dos ataques americanos e israelenses contra o Irã, que desencadearam a guerra atual.

O anúncio provocou uma alta imediata nos preços do petróleo, que atingiram o maior valor em mais de três semanas. O setor energético tem sido severamente afetado pelo conflito entre EUA e Irã, que já dura seis meses e já resultou em milhares de mortes e na retenção de milhões de barris de petróleo no Oriente Médio.

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Os EUA sinalizaram que podem visar nações que mantêm laços comerciais com o Irã, com foco especial na China, que adquire mais de 80% do petróleo exportado pelos iranianos. Bessent defendeu que os chineses, que obtêm metade de sua energia do Golfo, seriam beneficiados ao aderir ao programa americano.

Além disso, o governo Trump ameaçou intervir em negociações diplomáticas paralelas entre o Irã e Omã sobre a gestão do Estreito de Ormuz. O presidente chegou a sugerir o uso de força militar contra o estado do Golfo, tradicional aliado americano, caso este “atrapalhe” os planos dos EUA.

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Reação iraniana

O governo do Irã condenou duramente as medidas, classificando-as como “terrorismo econômico” que visa atingir cidadãos comuns e constitui um crime contra a humanidade.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que Trump utiliza a agressividade externa para desviar o foco da opinião pública de problemas financeiros internos dos EUA, como o endividamento recorde e a alta das taxas de juros.

O Irã vive sob sanções econômicas americanas de forma quase contínua desde a Revolução Islâmica de 1979. Apesar da nova escalada, acordos de cessar-fogo tentados em abril e junho deste ano fracassaram rapidamente, e Trump ainda não atingiu objetivos centrais, como o desmantelamento total do programa nuclear iraniano.

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O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, também afirmou que os americanos recorreram a uma “guerra econômica” depois de não alcançar seus objetivos através da ofensiva militar.

“Eles afirmam que o Irã está à beira da derrota e pendurado por um fio, mas estão implorando a todos os seus aliados para ajudá-los”, disse Gharibabadi. “O problema são os erros de cálculo deles. Cada vez que eles tentam encobri-los, eles acabam criando um fracasso ainda maior para si mesmos”, acrescentou.

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