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EUA usaram ‘praticamente todos’ seus mísseis de precisão e longo alcance no Irã, diz agência

Estoques baixos de ATACMS PrSM e munições defensivas geram preocupação sobre a prontidão para futuros conflitos; Casa Branca nega escassez

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 4 ago 2026, 09h50 | Atualizado em 4 ago 2026, 10h17
EUA usaram ‘praticamente todos’ seus mísseis de precisão e longo alcance no Irã, diz agência Priorizar nos meus resultados Google

As Forças Armadas americanas já consumiram a maior parte do seu arsenal de mísseis de longo alcance e alta precisão durante os últimos cinco meses de guerra contra o Irã, revelou a agência de notícias Reuters nesta terça-feira, 4. Com o estoque de munições em baixa, militares expressam preocupação sobre a potencial falta de prontidão para conflitos futuros.

De acordo com duas fontes ouvidas pela Reuters, os Estados Unidos usaram “praticamente todos” os Sistemas de Mísseis Táticos do Exército (ATACMS) e Mísseis de Ataque de Precisão (PrSM), as principais classes dos armamentos. Cada míssil desses custa aproximadamente US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,1 milhões).

Munições de longo alcance são parte importante do arsenal militar, permitindo ataques precisos a uma distância segura. Os ATACMS desempenharam papel fundamental na guerra na Ucrânia, permitindo que as forças ucranianas atacassem alvos dentro da Rússia. O PrSM é uma geração mais nova e avançada que substituirá os ATACMS, que possuem alcance menor.

Conflito arrastado

Uma guerra esticada não estava nos planos do presidente americano, Donald Trump. À época dos primeiros bombardeios ao Irã pelos aliados Estados Unidos e Israel, no final de fevereiro, o governo de Washington confiava que, ao eliminar o líder supremo Ali Khamenei, ganharia facilmente terreno na já enfraquecida república dos aiatolás, tal como no episódio em que apeou Nicolás Maduro do poder na Venezuela, dois meses antes, para pô-lo na cadeia em Nova York. A ideia era que a própria população, embalada por insatisfações, derrubasse o regime. Mas nada saiu como o esperado, e tudo o que justificava a investida (extinguir o programa nuclear iraniano no topo da lista) continua em aberto, o que torna mais longínquo o horizonte de um cessar-fogo e da paz duradoura.

À medida que a guerra se arrasta, três funcionários do governo americano ouvidos pela Reuters expressaram preocupação de que a escassez de mísseis possa limitar a capacidade dos Estados Unidos de dissuadir adversários, incluindo a Rússia e a China. Uma quarta pessoa familiarizada com o assunto disse que, embora o Centcom, comando militar americano no Oriente Médio, tenha quase esgotado os mísseis terrestres que tinha antes do início da guerra, conseguiu suprir suas necessidades com guarnições de Washington em outras partes do mundo — os soldados consumiram quase a metade do seu estoque global de mísseis de cruzeiro Tomahawk.

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Ainda segundo a Reuters, o tema foi pauta de conversas dentro da administração Trump nas últimas semanas, abordando por quanto tempo os Estados Unidos podem continuar atacando o Irã sem reduzir o arsenal a “níveis que limitariam a capacidade dos militares de responder a crises em outros lugares”. A reportagem descobriu que diversas autoridades militares e do governo alertaram o presidente de que os estoques de armas defensivas – incluindo interceptores Patriot – estavam diminuindo e, na semana passada, um recuo de Trump no Oriente Médio foi atribuído aos alertas de seus conselheiros sobre a falta de munições.

Em resposta à agência de notícias, a Casa Branca apenas reproduziu um comunicado já emitido por Trump, quando disse que os Estados Unidos tinham “muito mais munições do que qualquer pessoa no mundo” e “muito mais do que precisamos”.

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“Nossas empresas de defesa estão, neste momento, produzindo mais munições do que jamais fabricaram antes, além de expandirem suas fábricas e equipamentos em níveis recordes”, disse o presidente americano.

Especialistas não discordam que certas munições estejam sendo produzidas a níveis recordes, mas alertam que, ainda assim, o estoque pode ficar muito aquém do necessário para uma guerra prolongada.

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O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, também refutou quaisquer limitações. “As forças armadas dos Estados Unidos são as mais poderosas do mundo e têm tudo o que precisam para executar no momento e local escolhido pelo presidente”, disse ele à Reuters.

Mísseis defensivos em baixa

As principais fabricantes dos mísseis de precisão e longo alcance, Lockheed Martin e Raytheon, não comentaram sobre os estoques.

De acordo com um relatório divulgado em março pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), um think tank com sede em Washington, os arsenais de mísseis PrSM já estavam baixos no início da guerra, uma vez que se trata de uma munição relativamente nova, mas os militares dos Estados Unidos encomendaram um grande número delas para 2027. O Exército disse que os ATACMS serão eliminados gradualmente do arsenal.

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Na semana passada, o CSIS publicou um novo documento estimando que, entre fevereiro e julho, cerca de 65% dos interceptores Patriot tinham sido gastos e que o número de interceptores de mísseis balísticos THAAD nos arsenais dos Estados Unidos era quase 40% menor do que no início da guerra. Patriots e THAADs são sistemas que detectam e destroem mísseis inimigos e estão entre os mais eficazes no arsenal do país.

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