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EUA tentam frear ofensiva, mas Turquia intensifica ataques na Síria

Governo de Donald Trump anunciou sanções econômicas contra Ancara

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira, 11, que irá aplicar sanções econômicas contra a Turquia. A ação é uma forma de tentar frear os ataques realizados desde terça-feira 8 pelo governo de Recep Erdogan contra os curdos no nordeste da Síria. O presidente Donald Trump já havia ameaçado “arrasar a economia turca”. Em resposta, o mandatário da Turquia disse que o seu Exército não irá parar o avanço, “não importa o que falem”.

A operação militar turca é uma promessa de longa data de Erdogan, que só não a iniciou antes, porque havia tropas americanas na região. Após a debandada dos EUA na segunda-feira 7, Ancara iniciou a ofensiva com o objetivo de criar uma “zona de segurança” — 100 quilômetros adentro do território vizinho — para reassentar os cerca de três milhões de refugiados sírios que vivem dentro da Turquia.

Nesta sexta, 11, aviões de guerra e peças de artilharia turcos dispararam contra a cidade de Ras Ain, e a cerca de 120 quilômetros para o oeste, lançadores de morteiros retomaram os ataques contra Tel Abyad, onde se concentram os soldados curdos da Unidade de Proteção Popular (YPG), considerados terroristas pelos turcos. Desde terça-feira, mais de 100 combatentes e 27 civis foram mortos.

As forças turcas capturaram nove vilarejos perto de Ras Ain e Tel Abyad, disse Rami Abdulrahman, diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos, entidade sediada em Londres e dedicada a monitorar os conflitos dentro da Síria. Até o momento, a ofensiva turca forçou 100.000 pessoas a abandonarem suas casas, segundo o Observatório.

Segundo o porta-voz do Exército Democrático Sírio (SDF), grupo composto por diversos grupos armados, como o YPG e o Marvan Qamishlo, os combates em Tel Abyad se intensificaram nos últimos três dias. O SDF diz que as posições de defesa no nordeste da Síria estão enfraquecidas.

Temor da volta do EI

Civis apagam incêndio em Qamishli, Síria, após atentado à bomba reivindicado pelo Estado Islâmico – 11/10/2019

Civis apagam incêndio em Qamishli, Síria, após atentado à bomba reivindicado pelo Estado Islâmico – 11/10/2019 (Rodi Said/Reuters)

Desde o anúncio do começo da ofensiva, o temor da volta dos jihadistas começou a aumentar. O SDF calcula ter, ao todo, cerca de 12.000 militantes do Estado Islâmico (EI) sob custódia. Agora, com os ataques turcos, a manutenção da prisão dos terroristas segue em segundo plano.

Cerca de cinco deles já conseguiram fugir nesta sexta-feira. Um campo de detenção que mantinha pessoas suspeitas de serem familiares dos jihadistas se amotinou. Ao menos dois atentados a bomba e um tiroteio — totalizando seis mortos — foram reivindicados pelo Estado Islâmico nessa última semana.

Os curdos foram um dos grupos que mais atuaram contra o EI durante a guerra civil síria, tendo como aliado os Estados Unidos. Após o fim do conflito, declararam independência de Damasco, criando o Estado de Rojava no nordeste da Síria, mas agora se veem ameaçados sem o auxílio americano e do governo de Bashar Assad, ditador do país.

Comentários

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  1. Paulo Bandarra

    Traição americana.

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