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EUA tentam diminuir as consequências do massacre de civis no Afeganistão

Washington, 12 mar (EFE).- Um preocupado Governo dos Estados Unidos tentou nesta segunda-feira diminuir as consequências do massacre ocorrido no domingo no Afeganistão por um soldado americano, que acabou com a vida de 16 civis.

Nesta segunda-feira, o presidente americano Barack Obama lamentou o ‘trágico’ massacre de domingo no Afeganistão.

Em uma série de entrevistas a pequenas emissoras de TV a partir da Casa Branca, Obama ressaltou que seu Governo não fará nenhuma mudança na estratégia do país afegão nem vai acelerar a saída das tropas, prevista para 2014.

‘É importante termos a certeza de que saímos do país de forma responsável, para que não tenhamos de voltar. O que não queremos fazer é sair de forma precipitada’, disse Obama à rede ‘KDKA’ de Pittsburgh (Pensilvânia).

A Casa Branca informou que Obama ligou para o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, para expressar seu pesar, e prometeu que os Estados Unidos farão todo o possível para conduzir uma investigação profunda sobre o triste episódio. Karzai, no entanto, qualificou nesta segunda-feira o massacre como fato ‘inesquecível’.

O aumento das tensões no país asiático por causa das últimas ações das tropas da missão da Otan no Afeganistão (Isaf) obrigaram ao Governo de Barack Obama reafirmar sua posição estratégica e eximir-se mais uma vez diante das autoridades afegãs, ao mesmo tempo em que tiveram de reforçar as medidas de segurança de seus tropas no país asiático.

O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, garantiu nesta segunda-feira na entrevista coletiva diária que os Estados Unidos não alterarão sua estratégia com relação ao Afeganistão apesar dos incidentes ocorridos nas últimas semanas e ressaltou que ‘a razão pela qual as tropas estão em território afegão é para acabar com (a rede terrorista) Al Qaeda’, objetivo que ‘não mudou’.

‘Há um plano muito específico que vai continuar assim’, explicou Carney, quem também detalhou que os recentes ‘trágicos e terríveis episódios’ serão tratados na cúpula da Otan de maio em Chicago.

‘O objetivo dos EUA é eliminar Al Qaeda e estabilizar a situação no Afeganistão para que os terroristas deixem esse território, para isso continuaremos trabalhando’, insistiu Carney.

O porta-voz da Casa Branca lembrou que as políticas de Obama sobre o Afeganistão ‘sempre foram muito cuidadosas’ e continuam encaminhadas a conseguir que as autoridades afegãs possam assumir as funções de segurança do seu país.

O soldado que protagonizou o ‘terrível’ incidente, cujo nome ainda não foi divulgado, pertence à Base Conjunta Lewis-McChord, a mesma de onde eram os quatro soldados condenados por assassinar civis afegãos em 2010 e guardar parte de seus corpos como troféus.

A Base Conjunta Lewis-McChord fica nos arredores de Seattle, no noroeste dos Estados Unidos. A imprensa especializada classifica esse quartel como o ‘mais problemático do país.

O soldado atuou sozinho e se entregou após abrir fogo contra os civis afegãos em uma aldeia próxima a base no sudoeste de Kandahar, informou a Isaf. EFE