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EUA suspenderão sanções se regime de Caracas mudar de rumo

Chefe da área de América Latina no Departamento de Estado diz que crises política e econômica são resultados das políticas de Nicolás Maduro

Os Estados Unidos estão dispostos a suspender as sanções econômicas contra a Venezuela se houver mudanças políticas e econômicas favoráveis ao povo venezuelano, disse Michael Fitzpatrick, subsecretário adjunto de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, nesta segunda-feira (30).

“Com prazer reverteremos essas sanções financeiras quando o governo ou as autoridades mudarem seu rumo”, afirmou Fitzpatrick.

“Quando houver vontade de restabelecer a prestação de contas sobre o controle dos fluxos financeiros, quando puderem e desejarem reinvestir no país, quando tiverem vontade de dar simples passos para respeitar a Constituição e a Assembleia Nacional, de abrir canais humanitários, esse tipo de coisa poderia reverter as sanções”, informou.

Para Fitzpatrick, a mensagem de Washington é clara: os Estados Unidos não recompensarão “más condutas”, nem serão “cúmplices” do “saque” à Venezuela por seus governantes.

Fitzpatrick considerou “falso” que o agravamento da crise econômica venezuelana se deva às sanções impostas por Washington, como afirma o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

“É um argumento falso porque o colapso da economia venezuelana é muito anterior ao início das medidas econômicas dos Estados Unidos contra o regime, que começaram a ser aplicadas em agosto passado”, disse ele, durante um fórum sobre a crise humanitária na Venezuela.

Nos últimos meses, o governo de Trump aplicou várias sanções econômicas contra Maduro, autoridades e ex-funcionários  venezuelanos, além de proibir entidades americanas de renegociarem as dívidas do Estado venezuelano e da estatal petroleira  PDVSA. Também está proibida a comercialização do petro, a criptomoeda lançada por Caracas.

Segundo Fitzpatrick, “as coisas pioraram na Venezuela”, com maior restrição do espaço democrático e hiperinflação. A atual crise humanitária no país e o “êxodo maciço” são resultados do governo de Maduro.

“As origens dessa crise política e econômica estão, de fato, em decisões políticas e econômicas do regime. Não houve um terremoto ou um tsunami”, afirmou.

“Está muito claro, as pessoas fogem, vão embora. Como disse Ronald Reagan, as pessoas votam com os pés”, acrescentou, referindo-se ao ex-presidente americano, que governou nos anos 1980.

A Venezuela realizará eleições presidenciais em 20 de maio, nas quais Maduro tentará a reeleição.

Washington, que considera o governo de Maduro uma “ditadura” que ameaça a segurança nacional e os interesses americanos, declarou essas eleições ilegítimas.

(Com Reuters)