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EUA anunciam sanções a cidadãos e empresas do Brasil por suposta ligação com PCC

Tesouro dos EUA cita participação em rede internacional de lavagem de dinheiro para o grupo criminoso

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 1 jul 2026, 13h26 | Atualizado em 1 jul 2026, 14h47
EUA anunciam sanções a cidadãos e empresas do Brasil por suposta ligação com PCC Priorizar nos meus resultados Google

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira, 1º, sanções contra três empresas sediadas no Brasil e uma empresa portuguesa, assim como dois cidadãos brasileiros, por supostas ligações com o grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC).

Esta é a primeira rodada de sanções, formalizadas pelo Departamento do Tesouro dos EUA, após Washington classificar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas internacionais, em 28 de maio. Em nota, o governo americano disse ver a facção paulista como o maior grupo criminoso do Ocidente.

Segundo o Tesouro americano, os dois brasileiros sancionados são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. As empresas são Victory Trading Intermediacão De Negocios Cobrancas E Tecnologia Ltda, Pixwave Solucoes De Pagamentos Ltda, Wave Construcoes Inteligentes Ltda e Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda.

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Em nota, o governo americano acusa Victor Shimada e Stella Oliveira de integrarem, junto das três empresas, uma rede internacional de lavagem de dinheiro que estaria sendo investigada na Flórida. Prisões de seis pessoas ligadas ao esquema já teriam sido efetuadas em janeiro na Flórida.

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Classificado pelo governo americano como o elo “entre membros no PCC na Flórida e traficantes internacionais”, Shimada é acusado de lavar, a partir de São Paulo, mais de 30 milhões de dólares em recursos ilícitos gerados em várias cidades dos EUA através de criptomoedas. Stella Oliveira teria atuado como intermediária na coleta de dinheiro e na logística da lavagem do dinheiro.

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“O crime organizado no Ocidente não pode ser autorizado a estabelecer operações em solo americano que contribuam para a criminalidade e a desordem”, disse Gene Lange, subsecretário do Tesouro para Terrorismo e Inteligência Financeira.

As sanções preveem o bloqueio de bens e patrimônios dos alvos que estejam nos EUA ou sob controle de cidadãos americanos. Instituições financeiras que possuem laços com os sancionados também podem enfrentar sanções adicionais.

A decisão de alterar a classificação do grupo para terroristas contraria a posição do governo brasileiro, que teme interferências americanas no país, incluindo a possibilidade de que a medida seja usada como pretexto para uma possível invasão territorial, como feito em outros países. Foi com essa justificativa, por exemplo, que as Forças Armadas norte-americanas capturaram o líder venezuelano Nicolás Maduro e bombardearam embarcações no Mar do Caribe.

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Em entrevista recente, o presidente Lula disse que a guerra contra as facções brasileiras cabe às forças nacionais. “Nós aprovamos agora a lei antifacção, que vai nos permitir ter uma atuação muito mais poderosa para tentar destruir. Essa é uma guerra que é nossa, essa guerra não é dos Estados Unidos”, disse ele aos portais Brasil 247, Revista Fórum e DCM transmitida nos canais oficiais do governo brasileiro.

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De acordo com o Departamento de Estado americano, “CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntas, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, funcionários públicos e civis brasileiros. Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e por todo o país”.

Em publicação nas redes sociais, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que o governo de Donald Trump “continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar financiamento e recursos a narcoterroristas”. 

A atuação dos Estados Unidos para classificar organizações criminosas estrangeiras como terroristas não é de agora. Em fevereiro do ano passado, o governo americano declarou como terroristas grupos do México (cartéis de Sinaloa, Jalisco Nueva Generación e Noreste) e a organização Tren de Aragua (Venezuela).

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