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EUA registraram 40 mortes em seis ataques desde o início de 2018

A cada tragédia, o país rediscute a ausência de restrições à venda de armas; Trump apoia o maior lobby em prol do uso de pistolas e rifles para autodefesa

Por Denise Chrispim Marin Atualizado em 28 jun 2018, 21h11 - Publicado em 28 jun 2018, 18h58

Desde o início de 2018, dos Estados Unidos vieram notícias de seis ataques de pessoas armadas, que causaram a morte de 40 pessoas e ferimentos em pelo menos outras 52. Considerados como iniciativas de “lobos solitários” com acesso fácil a pistolas automáticas e até armas de grosso calibre, esses ataques têm sido frequentes na história recente americana.

Até agora, apenas no mês de março não houve incidente similar no país. Em dois desses cinco casos, o atirador foi morto pelas forças policiais. No restante, os responsáveis foram presos e indiciados. A estatística inclui os dados trágicos de Annapolis hoje (28), quando um atirador ingressou disparando na redação do jornal Capital Gazette. Cinco pessoas foram mortas.

A cada caso ocorrido nos Estados Unidos, ressurge a polêmica sobre a ausência de restrições efetivas ao comércio de armas e munições no país. Durante o governo de Barack Obama, a Casa Branca tentou impor limites, como a consulta do histórico médico dos compradores pelo comércio. Mas foi derrotada pelo lobby da Associação Nacional do Rifle (NRA), a principal entidade defensora do direito do cidadão americano de possuir armas de fogo e usá-las em autodefesa.

Desde o início de sua gestão, Donald Trump tem se recusado a adotar medidas restritivas e respaldado a NRA. No início de maio, Trump participou de um evento anual da NRA e chamou seus participantes de “verdadeiros patriotas”. O NRA se escuda na Segunda Emenda da Constituição americana, um texto de 1791 que, desde então, autoriza os cidadãos do país a se armarem para autodefesa.

O mais recente deles ocorreu na noite de 17 de junho, quando dois atiradores abriram fogo durante o All-Night Art Festival, em Trenton, no Estado de Nova Jersey. Um dos atiradores foi morto pela polícia. Mas 22 pessoas foram feridas pelos tiros e em consequência do pânico gerado pelos disparos.

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Em 18 maio, o estudante Dimitrious Pagourtzis, de 17 anos, valeu-se das armas de seu pai para ingressar na Santa Fe High School, onde estudava, e matar oito colegas e dois professores. A escola está localizada na pequena cidade de Santa Fé, na zona metropolitana de Houston, no Estado do Texas.  Em abril, um homem entrou atirando com um rifle na lanchonete Waffle House, em Antioch, no Estado do Tennessee. Quatro pessoas foram mortas e outras quatro ficaram feridas.

O massacre na Stoneman Douglas High School, em Parkland, no Sul da Flórida, foi considerado o mais mortal em escolas dos Estados Unidos desta década. Nikolas Jacob Cruz, usando um rifle AK-45, confessou o crime cometido em fevereiro e foi acusado por 17 assassinatos premeditados. Ele feriu outras 15 pessoas.

Em janeiro, aparentemente por ciúmes, Tim Smith entrou no lava-jato Ed´s Car Wash, em Melcroft, no Estado da Pensilvânia, e matou quatro pessoas. Entre elas, a mulher por quem estava apaixonado. Ele foi morto em tiroteio com a polícia.

Estudo do jornal Washington Post sobre a violência armada em escolas dos Estados Unidos concluiu que mais de 215 mil crianças em 200 instituições de ensino do país foram expostas a tiroteios durante período de aula desde a tragédia de Columbine, no Estado do Colorado, em 1999. Esses mesmos tiroteios causaram a morte de 131 estudantes, educadores e outras pessoas e ferimentos em 274.

O caso de Columbine chocou os Estados Unidos e deu origem a um documentário no qual Michael Moore explica as razões da tragédia e provoca a NRA e outros defensores do porte de armas do país. Em 20 de abril de 1999, dois estudantes da Columbine High School, Eric Harris e Dylan Klebold, abriram fogo e mataram 12 alunos e um professor. Outras 24 pessoas foram feridas.

O perfil dos atirados americanos aponta para homens caucaseanos. São raros os casos de negros, latinos ou asiáticos envolvidos neste tipo de crime. Entre eles está um dos mais graves da história do país: o ataque do estudante sul-coreano Cho Seung-Hui no Instituto Politécnico e Universidade Estadual da Virgínia, em Blacksburg, em 2007. Cho matou 32 pessoas, feriu 21 e foi morto pela polícia.

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