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EUA querem transferir tecnologia militar ao Brasil, diz secretário americano

Rio de Janeiro, 25 abr (EFE).- Os Estados Unidos estão dispostos a transferir tecnologia militar ao Brasil para poder contar com o país como um aliado estratégico que o ajude a garantir a segurança do continente americano, afirmou nesta quarta-feira o secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, no Rio de Janeiro.

Em pronunciamento para oficiais brasileiros na Escola Superior de Guerra, Panetta se comprometeu a realizar todos os esforços possíveis para facilitar a transferência de tecnologia ao país com o qual deseja uma ‘associação militar inovadora’.

O anúncio foi uma resposta às reivindicações feitas na véspera pelo ministro de Defesa brasileiro, Celso Amorim, que em entrevista coletiva concedida em Brasília após se encontrar com seu colega americano, se queixou de que os Estados Unidos vendem equipamentos militares ao Brasil, mas restringem o acesso à tecnologia.

‘Há vezes em que os Estados Unidos têm um controle, eu diria que exagerado, sobre suas tecnologias militares, mas estamos dispostos a compartilhar mais com o Brasil’, afirmou o secretário americano, que realiza uma viagem por países sul-americanos que já o levou à Colômbia e será concluída no Chile.

Ele acrescentou que essa transferência será facilitada pela aliança estratégica que os países estão construindo já que o Brasil passará a ser considerado como ‘nação aliada’ dos Estados Unidos.

O responsável pelas Forças Armadas da maior potência militar mundial disse que, apesar das restrições, os EUA aprovaram entre 2010 e 2011 cerca de 4 mil licenças de exportação de equipamentos controlados e continuarão apoiando os ‘bons aliados e amigos’.

‘Os Estados Unidos e o Brasil têm que aumentar o comércio de altas tecnologias nos dois fluxos e com transferência de tecnologia’, disse Panetta, cuja agenda no Rio de Janeiro também incluiu a entrega de uma oferenda no Monumento aos Heróis da Segunda Guerra Mundial.

O secretário mencionou especificamente o caso dos caças Super Hornet F/A-18 e disse que os Estados Unidos transferirão a tecnologia destas aeronaves caso o Brasil faça com a americana Boeing um contrato de compra desses aviões militares.

Na licitação brasileira para a compra dos 36 aviões de combate também participam a companhia francesa Dassault, com seus caças Rafale, e a sueca Saab, com o modelo Gripen.

‘O Congresso já garantiu total apoio para que os Estados Unidos compartilhem a tecnologia dessas aeronaves caso o Brasil as adquira. É um monopólio que só damos a nossos aliados mais próximos’, afirmou.

Panetta disse que os Estados Unidos querem acordos de cooperação militar com o Brasil por considerar que o país é um aliado estratégico para ajudar a garantir a segurança regional.

O secretário americano veio ao Brasil para participar ao lado de Amorim da primeira reunião do comitê binacional de cooperação em assuntos de defesa, cuja criação foi estipulada há três semanas em Washington entre o presidente dos EUA, Barack Obama, e a presidente Dilma Rousseff.

‘Vemos o Brasil como um país que está assumindo o papel que lhe corresponde como líder global e por isso queremos uma associação diferente às que tínhamos antes’, afirmou.

O secretário admitiu que seu país tinha a impressão de que poderia garantir a segurança hemisférica sem nenhuma ajuda e que hoje, para poder concentrar seus esforços em outras regiões com crise como o Oriente Médio e Ásia, quer alianças com países do continente americano com os quais compartilha valores.

‘Hoje sabemos que um Brasil mais forte militarmente e mais comprometido como líder global pode cooperar e por isso queremos ajudá-lo a desenvolver sua capacidade para garantir segurança, compartilhar exercícios e tecnologias’, disse.

Panetta afirmou que o Brasil e os Estados Unidos têm desafios comuns no continente, entre os quais mencionou o narcotráfico e a atenção aos desastres nucleares, e disse que a melhor forma de enfrentá-los é com uma ação conjunta.

Ele acrescentou que a base da associação militar que os países desejam construir é precisamente o interesse comum de querer garantir a paz e a segurança mundial neste século. EFE