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EUA propõem nova resolução sobre Síria; Assad promete reformas

Fim da violência compõe o novo texto americano que pretende punir o regime

Os Estados Unidos propuseram nesta terça-feira aos demais membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU um novo projeto de resolução sobre a Síria, que pede o fim da violência e o acesso imediato aos funcionários humanitários, além de dar apoio à iniciativa de transição da Liga Árabe. A embaixadora americana na ONU, Susan Rice, apresentou o texto aos representantes de Rússia, China, França e Grã-Bretanha, em reunião a portas fechadas que também teve a participação do Marrocos como representante do grupo de países árabes e defensor da última tentativa do Conselho de condenar Damasco, vetada em fevereiro.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram mais de 9.400 pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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O projeto pede o fim da violência tanto às autoridades sírias como à oposição, além de condenar as violações dos direitos humanos cometidas pelo regime de Bashar Assad, explicaram fontes diplomáticas à agência de notícias EFE. O texto americano utiliza uma linguagem “mais equilibrada”, segundo as mesmas fontes, para satisfazer a Rússia, contrária a uma resolução que promova uma mudança de regime político na Síria. Contudo, alguns dos membros do principal órgão de decisão da ONU são “muito pessimistas” e acreditam que o país mude de opinião.

Histórico – A reunião entre os cinco membros permanentes e o Marrocos foi realizada depois de o Conselho de Segurança receber a portas fechadas o último relatório da situação na Síria elaborado pelo subsecretário-geral da ONU para Assuntos Políticos, Lynn Pascoe. Ele sinalizou como um passo positivo o fato de Damasco ter permitido o acesso do enviado conjunto da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, e da subsecretária geral das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, Valerie Amos.

A notícia do novo projeto de resolução americana veio à tona no mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou em entrevista coletiva que atacar a Síria de forma unilateral seria ‘um erro’. A proposta dos EUA também foi feita no mesmo dia em que Assad, o chefe de Estado sírio, afirmou que seu país está determinado a realizar reformas e a combater o “terrorismo”.

“O povo sírio, que no passado provocou o fracasso das conspirações estrangeiras (…) demonstrou novamente sua capacidade de defender a pátria e de construir uma nova Síria”, disse Asad, cujo regime reprime de forma violenta uma rebelião popular – especialmente na cidade rebelde de Homs. “A Síria é alvo, como no passado, de tentativas de reduzir seu papel e de desestabilizá-la”, afirmou Asad a uma delegação do Parlamento da Ucrânia, segundo a agência oficial Sana.

(Com agências EFE e France-Presse)