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EUA prometem à Rússia não tentar pena de morte para Snowden

Secretário de Justiça americano enviou carta a autoridades russas para evitar asilo ao delator

Por Da Redação - 26 Jul 2013, 18h42

O governo americano assegurou à Rússia que não vai tentar imputar ao delator Edward Snowden a pena de morte, caso ele seja extraditado. Com isso, os Estados Unidos tentam impedir que Moscou conceda asilo ao ex-técnico da CIA e da Agência de Segurança Nacional, que há um mês está impedido de sair de uma área de transição do aeroporto Sheremetyevo, na capital russa. Os EUA também afirmam que poderiam conceder um passaporte para que o americano pudesse viajar imediatamente de volta ao país.

As afirmações constam de uma carta com data de 23 de julho enviada pelo secretário de Justiça Eric Holder ao seu homólogo russo Alexander Vladimirovich, na qual ele também lembra que a tortura é ilegal nos Estados Unidos. “Acreditamos que essas garantias eliminam os argumentos do senhor Snowden para solicitar o tratamento de refugiado ou asilado, seja temporário ou de qualquer tipo”, diz a carta divulgada pelo Departamento de Justiça nesta sexta.

Holder afirmou que as acusações que recaem sobre Snowden não preveem a possibilidade de condenação à pena de morte e que mesmo se ele vier a ser acusado por algum crime que possa levar a esse tipo de punição, o governo não vai busca-la, informou o jornal britânico The Guardian.

Snowden vazou informações sobre programas secretos de vigilância do governo Barack Obama para a imprensa. Ele divulgou documentos que revelam as longas garras da administração democrata sobre comunicações telefônicas e virtuais de milhões de cidadãos americanos e de outros países. O monitoramento respingou até no Brasil.

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O presidente Vladimir Putin já havia determinado que Snowden não seria extraditado e poderia receber asilo do governo russo se parasse de prejudicar os interesses dos “parceiros americanos”. No entanto, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reafirmou a recusa da Rússia em extraditar Snowden, por falta de um acordo de extradição com os EUA. “Nós nunca entregamos ninguém e não vamos fazer isso no futuro”, disse, segundo comunicado citado pela agência de notícias Interfax.

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O advogado Anatoly Kucherena, que está assessorando o americano, disse na quarta-feira que as autoridades russas ainda analisavam o pedido de asilo temporário. Segundo ele, o delator “não está planejando sair da Rússia por enquanto”.

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Um especialista em segurança ouvido pela agência Reuters afirmou que as conversas entre os dois países poderão incluir uma garantia de que Snowden não vazará mais documentos secretos após receber asilo. “Os EUA devem ter entendido que não capturarão o Snowden. Minha teoria é de que eles estão tentando impedir novos vazamentos”, disse Andrei Soldatov.

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