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Polícia resgata 16 crianças confinadas por 4 anos em quarto em meio a dejetos humanos

Pais e avós foram indiciados; autoridades afirmam que o caso em Ohio, nos Estados Unidos, não é de tráfico de pessoas, mas sim uma 'situação familiar'

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 jul 2026, 13h06 | Atualizado em 2 jul 2026, 13h14
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Autoridades dos Estados Unidos informaram na quarta-feira, 1º de julho, que 16 crianças foram resgatadas de uma casa em condições precárias na zona rural do estado de Ohio, após passarem os últimos quatro anos confinadas em um único quarto, em “condições deploráveis”, vivendo em meio a dejetos humanos e sujeita extrema.

As crianças — que, segundo autoridades, pertencem à mesma família — tinham idades entre 1 e 18 anos, incluindo meninos e meninas. Algumas não conseguiam falar e uma delas, uma garota de 18 anos com deficiência no desenvolvimento, não sabia sequer soletrar o próprio nome.

“Até nosso gado costuma ser mantido em condições melhores do que essas crianças”, disse o xerife do condado de Vinton, Ryan Cain, em coletiva de imprensa, afirmando que os agentes encontraram na casa “uma cena simplesmente repugnante”.

Acusações

Os pais (Gary Jr. e Christina Siders) e dois avós das crianças (Gary Sr. e Elizabeth Siders), foram indiciados, cada um, por 16 acusações relacionadas ao crime de colocar crianças em risco, uma vez que o caso envolve “danos físicos graves”, anunciou o promotor do condado, William Archer. Ele também ressaltou que não se tratava de um caso de tráfico de pessoas, mas sim de uma “situação intrafamiliar”.

O quarteto compareceu ao tribunal na quarta-feira; um juiz registrou a declaração de inocência em nome deles, e a fiança foi fixada em US$ 300 mil (cerca de R$ 1,5 milhão) para cada um.

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Investigadores informaram que membros da família haviam morado em várias localidades no sul de Ohio nas últimas duas décadas e que, aparentemente, evitavam deixar um rastro de registros médicos ou governamentais. As crianças também não estavam matriculadas na escola.

“Eles eram muito habilidosos em manter essas crianças fora de vista e longe do alcance dos investigadores”, disse o procurador-geral de Ohio, Andy Wilson, acrescentando que parecia que ninguém fora da família sabia da existência das crianças.

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Por ora, o estado busca a guarda temporária de todas as crianças. “A justiça será feita”, garantiu Wilson.

Descoberta acidental

As autoridades encontraram os pequenos por acaso, enquanto cumpriam um mandado de busca relacionado a outra investigação no pequeno vilarejo de Hamden, em um dos condados mais pobres de Ohio

“Não sabíamos que haveria 16 crianças lá”, disse o procurador-geral Wilson. “É pura maldade. Foi a pior cena que já presenciei em toda a minha carreira. (As crianças) pareciam animais quase selvagens, foi terrível.”

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O xerife Cain afirmou que, ao que tudo indica, as crianças passavam a maior parte do tempo em um único cômodo de aproximadamente 3,6 por 3,6 metros. Sete delas foram levadas para hospitais em Columbus, capital de Ohio, e duas foram transportadas de helicóptero para centros de trauma de nível 1. Uma outra estava em estado crítico na terça-feira e precisou ser intubada.

Vizinhos em Hamden, com menos de 1.000 habitantes, ficaram chocados ao saber que havia crianças vivendo naquela casa. Joseph Stewart, 60, disse à agência de notícias The Associated Press que não havia visto nenhum menor desde que a família se mudou para lá. “É uma situação triste”, disse ele, que mora lá há seis anos e descreveu o local como “um bairro tranquilo”.

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Outro vizinho, Petey Angels, 64, disse ao jornal jocal Columbus Dispatch que ficou chocado com as acusações e que também nunca tinha visto crianças nas proximidades da casa. “Nada acontece aqui”, disse Angels sobre Hamden. “É algo que você jamais esperaria ver neste vilarejo.”

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