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EUA podem enviar embaixador a Mianmar após anistia de presos políticos

Por Da Redação - 13 jan 2012, 15h21

Washington, 13 jan (EFE).- A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, anunciou nesta sexta-feira que os Estados Unidos estão dispostos a enviar um embaixador a Mianmar pela primeira vez em duas décadas, após a anistia e o cessar-fogo declarados pelo Governo birmanês.

‘Este é um dia transcendental para o povo birmanês’, disse Hillary em discurso no qual anunciou a vontade dos EUA de restabelecer suas relações diplomáticas com Mianmar, onde o último embaixador americano saiu em 1990.

O presidente americano, Barack Obama, afirmou momentos antes que havia ‘dado instruções à secretária de Estado para que dê passos adicionais para construir uma relação de confiança’ com o Governo birmanês, em comunicado no qual qualificou de ‘passo crucial’ a quarta anistia de presos políticos declarada hoje em Mianmar.

A decisão de libertar ‘centenas’ dos 651 prisioneiros políticos reclusos no país se soma ao acordo, anunciado na quinta-feira, de um cessar-fogo entre o Governo birmanês e a guerrilha da etnia karen, que foi bem recebido pelos EUA.

‘Começaremos o processo de intercambiar embaixadores com Mianmar. Identificaremos um candidato para servir como embaixador americano, para representar nosso Governo e nossos esforços para fortalecer e aprofundar os laços com o povo e o Governo’, comentou Hillary.

O processo será ‘longo’ e ‘dependerá da continuidade do progresso e das reformas’, advertiu a secretária de Estado, mas um embaixador americano ajudará os EUA a ‘apoiar os passos históricos e promissores que estão sendo desenvolvidos’ no país.

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Em 1990, os EUA retiraram seu embaixador da capital Yangun após a repressão do Governo aos protestos que sucederam às eleições parlamentares daquele ano.

Desde então, manteve sua embaixada no país no nível de encarregados de negócios, e nenhuma das Administrações seguintes nomeou um embaixador, em protesto pelas violações de direitos humanos da junta militar que dirige o país desde 1962.

Além de restabelecer o pleno funcionamento da legação, Hillary anunciou que ordenou que sua equipe ‘identifique mais passos que os EUA possam tomar em conjunto com seus amigos e aliados para apoiar as reformas em curso’.

Neste fim de semana, a secretária de Estado deve ligar para o presidente birmanês Thein Sein e para a líder opositora Aung San Suu Kyi, libertada em novembro de uma prisão domiciliar de quase 22 anos, para ressaltar o compromisso dos EUA de ‘caminhar ao lado deles’.

Hillary Clinton se tornou no final de novembro a primeira titular de Relações Exteriores dos EUA a visitar Mianmar em mais de 50 anos, depois que Obama afirmou que via ‘brilhos de esperança’ nas reformas democráticas empreendidas lentamente pelo regime birmanês.

‘Hoje, essa luz brilha um pouco mais forte, quando os prisioneiros podem reunir-se com suas famílias e o povo vislumbra um caminho democrático’, declarou Obama, mas não sem advertir que ainda restavam muitas reformas para serem empreendidas. EFE

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