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EUA pedem união política no Egito após aprovação de Constituição

Resultado do referendo provocou protestos da oposição, que acusa o governo de fraudar as votações

Os Estados Unidos pediram nesta terça-feira a todas as correntes no Egito que aumentem sua responsabilidade política após o anúncio de que os eleitores aprovaram a nova Constituição do país, elaborada pelos aliados islamitas do presidente Mohamed Mursi. O resultado provocou protestos da oposição, que acusa o governo de fraudes na votação, realizada nos dias 15 e 22 de dezembro.

“O presidente Mursi, na condição de líder democraticamente eleito do Egito, tem uma responsabilidade especial de seguir adiante em um caminho que reconheça a necessidade urgente de construção de uma ponte entre as divisões”, afirmou o porta-voz do Departamento de Estado americano Patrick Ventrell, em comunicado.

Ventrell comentou ainda que muitos egípcios se mostraram preocupados com o processo constitucional. “Esperamos que esses egípcios desapontados com o resultado busquem um engajamento maior e mais profundo. Esperamos que todos os lados assumam um novo compromisso de condenar e evitar a violência”, disse Ventrell.

Constituição – Números finais do Supremo Comitê Eleitoral mostraram que a Constituição foi aprovada por 63,8% dos votos, dando aos islamitas sua terceira vitória estratégica nas urnas desde a queda de Hosni Mubarak, em 2011. Os oposicionistas liberais, secularistas e cristãos foram às ruas para impedir a aprovação da Carta, que consideravam misturar perigosamente política e religião e não garantir as liberdades individuais.

As irregularidades citadas pela oposição durante o referendo incluem ameaças, subornos e casos de seções que atrasaram o horário de abertura ou que anteciparam o horário de encerramento da votação. Os grupos oposicionistas ficaram decepcionados com o resultado, e pressionam as autoridades para que os votos sejam recontados. “Investigamos arduamente todas as denúncias”, afirmou o juiz Samir Abu el-Matti, do Supremo Comitê Eleitoral.

Crise Econômica- A turbulência política também contribuiu para aumentar os efeitos da crise econômica plela qual o país está passando. Horas antes de o governo anunciar o resultado resultado do referendo, as autoridades impuseram uma nova proibição à entrada ou saída do país de viajantes com mais de 10.000 dólares em moeda estrangeira. A medida, aparentemente, tem o objetivo de combater a saída de capitais do Egito.

O Banco Central do Egito disse na segunda-feira que tomaria medidas para “salvaguardar” os depósitos bancários. Há rumores sobre qual tipo de ação será levada adiante.

Temendo maiores restrições, alguns egípcios já começaram a sacar dinheiro dos bancos. “Tenho ouvido que o Banco Central tomará todos os nossos depósitos para pagar o salário dos funcionários do governo, devido à atual deterioração da situação econômica”, disse Ayman Osama, pai de duas crianças. Ele afirmou ter sacado o equivalente a cerca de 16 mil dólares nesta semana, e planeja retirar mais recursos de sua conta. “Não vou colocar mais nenhum dinheiro no banco, assim como muitas das pessoas que conheço”, acrescentou.

(Com agência Reuters)