Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

EUA pedem fim das detenções ‘arbitrárias’ no Egito

Departamento de Estado americano alerta que a perseguição contra aliados de presidente deposto Mohamed Mursi apenas prolongará a crise política no país

Os Estados Unidos pressionaram o Exército e o governo interino do Egito nesta quinta-feira a cessarem com as detenções “arbitrárias” de membros da Irmandade Muçulmana, o grupo político que fornecia a base de apoio ao presidente deposto Mohamed Mursi. Para Washington, a perseguição contra os aliados do ex-governante apenas prolongará a crise política no país.

Leia também:

Novo premiê egípcio pede mais tempo para formar governo

Mais de 200 detidos em confrontos no Cairo serão indiciados

Entenda o caso

  1. • Na onda das revoltas árabes, egípcios iniciaram, em janeiro de 2011, uma série de protestos exigindo a saída do ditador Hosni Mubarak, há trinta anos no poder. Ele renunciou no dia 11 de fevereiro.
  2. • Durante as manifestações, mais de 800 rebeldes morreram em confronto com as forças de segurança de Mubarak, que foi condenado à prisão perpétua acusado de ordenar os assassinatos.
  3. • Uma Junta Militar assumiu o poder logo após a queda do ditador e até a posse de Mohamed Mursi, eleito em junho de 2012.
  4. • Membro da organização radical islâmica Irmandade Muçulmana, Mursi ampliou os próprios poderes e acelerou a aprovação de uma Constituição de viés autoritário.
  5. • Opositores foram às ruas protestar contra o governo e pedir a renúncia de Mursi, que não conseguiu trazer estabilidade ao país nem resolver a grave crise econômica.
  6. • O Exército derrubou o presidente no dia 3 de julho, e anunciou a formação de um governo de transição.

Leia mais no Tema ‘Revolta no Egito’

“Se as detenções continuarem sendo politizadas, será difícil ver como Egito se moverá para além dessa crise”, afirmou Jen Psaki, porta-voz do Departamento de Estado americano. Psaki acrescentou que as prisões “não estão de acordo com a reconciliação nacional que o governo interino e os militares dizem estar realizando”.

Prisões – A repreensão americana acontece dias depois que o Egito iniciou processos criminais contra 206 pessoas detidas na última segunda-feira durante os protestos convocados pela Irmandade Muçulmana em rejeição ao golpe militar que tirou Mursi do poder. Confrontos entre membros do grupo e forças de segurança deixaram 51 mortos no Cairo. O procurador-geral do Egito também ordenou a prisão do guia supremo da Irmandade, Mohamed Badie, acusado de incitar a violência durante as manifestações. Outros integrantes da cúpula da organização também foram detidos ou tiveram a prisão decretada.

Apesar das hostilidades entre os líderes interinos e os ex-aliados de Mursi, o recém-nomeado premiê egípcio Hazem al-Beblawi não descartou a participação da Irmandade Muçulmana no governo de transição. “Não escolho um ministro porque seja islamita ou não”, destacou Hazem. O grupo islâmico, no entanto, anunciou que “não compactua com golpistas” e rejeitou a oferta para integrar o governo.

Ramadã – Em meio a tensão, grupos a favor e contra o ex-presidente Mursi prometem novos protestos para esta sexta-feira, a primeira do Ramadã, o mês sagrado para os muçulmanos. “Nós continuaremos nosso protesto pacífico até o fim do golpe militar e o retorno à legitimidade”, anunciou um porta-voz da Irmandade.

Mursi – Apesar de criticar duramente a postura do Exército egípcio em relação à Irmandade Muçulmana, os EUA acenaram com uma aproximação com o governo interino ao classificarem Mohamed Mursi como um presidente “antidemocrático”. “O que eu quero dizer é que estamos referenciando as 22 milhões de pessoas que estiveram expressando suas opiniões e deixando claro que democracia não é só vencer a votação na urna”, disse a porta-voz do Departamento de Estado. Para o governo interino do Egito, as declarações são um sinal de que os EUA não pretendem congelar a ajuda anual de 1,5 bilhão de dólares anuais por causa do golpe. Já a Irmandade Muçulmana classificou as afirmações americanas como “hipócritas”.

Detido desde sua deposição, Mursi permanece sob custódia dos atuais mandatários egípcios, que se limitam a dizer que ele está em um local seguro e sendo tratado “de forma digna”. O nome do político voltou às manchetes nesta quinta-feira depois que o jornal New York Times publicou que o governo interino deu atenção especial para um processo judicial movido contra ele e outros membros da Irmandade por causa de uma fuga ocorrida em 2011. Os promotores vão investigar se Mursi escapou da prisão com a ajuda do grupo radical palestino Hamas ou se foi libertado por populares, como ele alega. Preso nas primeiras horas do levante contra Hosni Mubarak, Mursi escapou apenas dois dias depois em meio ao caos que tomou o país durante a revolta.

(Com agência France-Presse)