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EUA negam visto para chanceler do Irã comparecer a reunião da ONU

Governo de Donald Trump também foi acusado de discriminar cidadãos americanos de origem iraniana em trânsito pela fronteira

Por Da Redação Atualizado em 30 jul 2020, 19h31 - Publicado em 7 jan 2020, 19h56

Os Estados Unidos negaram o visto para o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, impedindo-o de comparecer a uma reunião da Organização das Nações Unidas, em Nova York, nesta semana. O governo do presidente Donald Trump também foi acusado, nesta terça-feira, 7, de submeter cidadãos americanos de passagem pela fronteira a “inspeções secundárias” por serem de origem iraniana.

O chanceler iraniano pretendia comparecer a uma reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) na quinta-feira, 9. A reunião e a viagem de Zarif foram planejadas antes do acirramento das tensões entre Washington e Teerã.

Zarif viajou a Nova York pela última vez em setembro para a abertura da sessão anual da Assembleia Geral das Nações Unidas — depois de os Estados Unidos o punirem por adotar “a pauta irresponsável do líder supremo do Irã”. Ele já era alvo de sanções de Washington, que bloqueou quaisquer propriedades ou interesses de Zarif no país. Mas Zarif alegou não possuir nenhum.

O chanceler iraniano também comparecera a reuniões das Nações Unidas em abril e julho. Durante sua visita de julho, Washington impôs restrições de viagem a ele e a diplomatas da missão iraniana na entidade internacional, confinando-os a um setor pequeno da cidade de Nova York.

Conforme o “acordo de sede” de 1947 das Nações Unidas, espera-se que os Estados Unidos permitam o acesso de diplomatas estrangeiros à entidade. Mas Washington diz que pode negar vistos por razões de “segurança, terrorismo e política externa”.

O Departamento de Estado norte-americano não quis comentar de imediato. A missão do Irã nas Nações Unidas negou ter recebido qualquer “comunicação oficial dos Estados Unidos ou das Nações Unidas quanto ao visto do chanceler Zarif”.

O porta-voz da entidade internacional, Stephane Dujarric, também não quis comentar sobre a alegação.

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Barrados na fronteira

Além da acusação de negar visto ao chanceler iraniano, o governo de Trump foi alvo de uma denúncia da organização não-governamental Observatório dos Direitos Humanos (HRW) nesta terça. A HRW afirmou que cidadãos americanos de origem iraniana ficaram retidos durante horas em postos de controle de fronteira com base na sua etnia.

  • “Durante os dias 4 e 5 de janeiro de 2020, as autoridades de fronteira americana retiveram dezenas de viajantes de ascendência iraniana por até 10 horas para expô-los a uma inspeção adicional no posto de fronteira de Blaine, (estado de) Washington, segundo o Conselho de Relações Americano-Árabes e alguns meios”, informou a HRW em comunicado publicado em seu site oficial.

    Um dos casos é o da designer de interiores Negah Hekmati, que denunciou ter sido impedida de entrar no país através da fronteira com o Canadá na segunda-feira, juntamente com o marido, ambos de origem iraniana, e seus dois filhos. A família foi mantida nas instalações da autoridade de fronteira no estado de Washington, no noroeste americano, por cinco horas.

    “A política das forças da ordem federais não permite que os agentes levem em conta fatores como a origem nacional ao criar uma rotina ou ao tomar decisões espontâneas, como parar um veículo”, explicou Clara Long, uma das investigadoras da HRW.

    Mas, como Long afirmou, existe “uma brecha” que permite aos guardas de fronteira “considerarem fatores, como a nacionalidade de origem, para este tipo de decisões, mesmo em relação aos cidadãos americanos”.

    Essas retenções supostamente arbitrárias vêm depois que o Departamento de Segurança Nacional atualizou o Sistema Nacional de Alerta Terrorista, em 4 de janeiro, para alertar sobre o risco crescente de “extremismo violento gerado em casa”, após a operação americana que matou o general iraniano Qasem Soleimani.

    (Com Reuters e EFE)

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