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EUA impõem sanções contra primeira-dama da Nicarágua

Decisão é resposta a repressão violenta do presidente Daniel Ortega contra opositores; esposa é também vice-presidente do país

O governo dos Estados Unidos anunciou na última terça, 27, novas sanções contra a vice-presidente e primeira-dama da NicaráguaRosario Murillo, como resposta a repressão promovida por Daniel Ortega, presidente do país centro-americano, aos protestos contra sua gestão.

Presidente americano, Donald Trump assinou uma ordem executiva declarando emergência nacional. O anúncio acompanha a reação violenta de Ortega aos protestos contra as mudanças previdenciárias promovidas nos últimos meses.

O Departamento do Tesouro decidiu aplicar as sanções contra a primeira-dama e contra o assessor de Segurança Nacional do país, Néstor Moncada Lau, por violações aos direitos humanos e corrupção. Ortega e seus aliados estão envolvidos “em uma corrupção descontrolada, desmanche de instituições democráticas, séria quebra de direitos humanos e exploração de pessoas e recursos públicos da Nicarágua para ganhos privados.”, declarou o Departamento.

Conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton já havia dito, em discurso no início de novembro, que a administração Trump estava preparando sanções contra a Nicarágua, juntando o país a Cuba e Venezuela no que chamou de “Tróica da Tirania”. Os Estados Unidos querem que o país promova eleições democráticas e justas, disse em documento publicado após a fala de Bolton.

As sanções, determinadas na ordem executiva assinada por Donald Trump, determinam o bloqueio de qualquer propriedade de Rosario e Moncada Lau sob jurisdição americana.

Além disso, qualquer americano está proibido de realizar negócios com os dois, que também serão impedidos de entrar no país.

Um funcionário do alto escalão da Casa Branca revelou que o governo americano espera “efeitos significativos” com as sanções.

Murillo influencia grupos criminosos

O Departamento do Tesouro disse que Rosario tem influência sobre a Frente Sandinista de Libertação Nacional, uma organização da juventude, e também sobre a Polícia Nacional Nicaraguense. Ambos os grupos ou seus membros, tiveram parte em “sérios crimes contra os direitos humanos”, disse o Tesouro. Sequestros, torturas e execuções extrajudiciais são algumas das acusações desde o início dos protestos, em abril. 

Secretário do Tesouro, Steven Mnuchin afirmou que o governo americano está comprometido em fazer o regime de Ortega prestar contas pela resposta aos protestos e pela corrupção que “derivou nas mortes de centenas de nicaraguenses inocentes”.

“A vice-presidente e seus agentes políticos buscaram desmantelar sistematicamente as instituições democráticas e saquear a riqueza da Nicarágua para consolidar seu controle do poder”, disse Mnuchin.

Além disso, o governo americano afirmou que Moncada, o assessor de Segurança Nacional, esteve envolvido em casos de corrupção, extorsão e pagamentos de propina em benefício do presidente. Ele também “trabalhou com o presidente para encobrir casos de abuso sexual cometidos pelo líder contra uma menor.”

A crise provocada pelos protestos contra Ortega deixaram 325 mortos no país desde abril, segundo dados da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).