EUA fazem ataques ‘pesados’ contra o Irã em conflito que transborda para Egito e Iraque
Drone atinge dois navios em porto egípcio após Arábia Saudita disparar contra milícias iraquianas pró-Teerã e pausa na batalha vai por água abaixo
Os Estados Unidos lançaram nesta quinta-feira, 30, uma “onda pesada” de bombardeios contra o Irã, em retaliação a ataques contra suas bases militares na Jordânia na véspera, em meio a um conflito renovado no Oriente Médio que ameaça se expandir ainda mais.
A nova troca de hostilidades após uma trégua de quase uma semana aumentou a preocupação nos mercados, onde os preços do petróleo continuavam a subir. O conflito, além disso, se estendeu a países até agora relativamente poupados, como o Iraque ou o Egito.
“Os ataques são uma resposta potente às tentativas da véspera do Irã de atacar as forças americanas posicionadas no Oriente Médio”, informou no X (ex-Twitter) o Centcom, comando militar americano para o Oriente Médio.
Na quarta-feira, o presidente americano, Donald Trump, havia prometido atingir “com força” a república islâmica. “Vamos bater neles com força. Eles vão levar uma surra”, disse o presidente, segundo um correspondente da emissora Fox News.
Citando autoridades regionais, a imprensa estatal iraniana reportou posteriormente ataques americanos nas proximidades da ilha de Qeshm e da cidade de Abadan. A Guarda Revolucionária Islâmica, a força ideológica paralela ao Exército, anunciou que três soldados morreram durante os bombardeios em Zanjan, província no noroeste do país.
Em resposta, as forças iranianas lançaram ataques contra o Kuwait, que informou que uma pessoa morreu em um bombardeio, e contra a Jordânia, onde o Exército anunciou que suas defesas aéreas derrubaram cinco mísseis procedentes do Irã.
Expansão das frentes de guerra
Arábia Saudita e Estados Unidos anunciaram na quarta-feira 29 bombardeios contra bases de milícias pró-Irã no Iraque, em retaliação a disparos contra instalações petrolíferas sauditas nos últimos dias — o que Bagdá denunciou como “um ataque inaceitável e uma flagrante violação da soberania”, apesar de Trump ter dito que a incursão fora coordenada com o governo local. Enquanto isso, Israel voltou a acusar o grupo xiita Hezbollah, apoiado pelo Irã, de violar a trégua no Líbano.
Nesta quinta, o Egito atribuiu a um ataque com drones de origem desconhecida o incêndio de dois navios que carregavam gás natural liquefeito (GNL), um deles americano, no porto de Damieta, no norte do país. Foi a primeira incursão registrada no país desde o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro.
Embora o Irã não tenha assumido oficialmente a responsabilidade, autoridades de segurança iranianas afirmaram ao jornal The Washington Post que o ataque ao Egito visava demonstrar que outros corredores energéticos vitais no Oriente Médio e a região do Canal de Suez estão vulneráveis caso o conflito se amplie.
Rotas alternativas de transporte de petróleo tornaram-se mais relevantes ainda devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passava 20% do abastecimento mundial de combustível antes da guerra. Na quarta-feira, a Guarda Revolucionária afirmou que havia detido três navios petroleiros lá e que mantinha o “controle total” dessa rota marítima.
A tensão no oceano também colocou holofotes sobre o Mar Vermelho, que a Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, passou a usar com maior intensidade desde o início da guerra. Mas os rebeldes hutis, grupo apoiado pelo Irã que controla amplas áreas do Iêmen, anunciaram na semana passada um bloqueio naval aos portos sauditas.
O governo oficial do Iêmen afirmou que o plano dos hutis é estabelecer um sistema de cobrança de taxas para os navios que transitam pelo Estreito de Bab al-Mandeb, que dá acesso ao Mar Vermelho. A Guarda Revolucionária está “ajudando nesse esforço”, afirmou o ministro da Informação.
Hesham Alghannam, analista saudita de questões de segurança, afirmou à agência de notícias AFP que as novas frentes abertas por grupos aliados ao Irã são “a continuação da guerra direta por outros meios, travada com uma coerência estratégica considerável”.
“Negociações continuam”
Apesar das hostilidades, o Paquistão, mediador entre Washington e Teerã, afirmou nesta quinta-feira que as partes negociam uma desescalada depois da madrugada de bombardeios dos Estados Unidos contra o Irã.
“As negociações entre as partes continuam, em particular no que diz respeito ao Estreito de Ormuz e à desescalada”, declarou à imprensa o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, Tahir Andrabi.
Ele também afirmou que seu país estava fazendo “todo o possível” para retomar o protocolo de acordo assinado em junho, que previa o início de um ciclo de negociações de paz entre as partes.
O processo, no entanto, descarrilou no início de julho com os ataques americanos contra o Irã e as represálias de Teerã contra países aliados de Washington, como as monarquias do Golfo ou a Jordânia.
No centro da disputa está o Estreito de Ormuz, que o Irã quer controlar e onde quer cobrar pedágios; já os Estados Unidos desejam um retorno ao status quo pré-guerra.







