EUA exigem redes sociais abertas de jornalistas que pedirem visto
Regra entra em vigor nesta quinta-feira, 1º; governo diz que medida faz parte da triagem de segurança
Os Estados Unidos passarão a exigir que jornalistas estrangeiros que solicitarem visto para trabalhar no país deixem seus perfis em redes sociais públicos ou abertos para análise das autoridades. A nova regra entra em vigor nesta quinta-feira, 1º de outubro, e amplia o programa de verificação da presença on-line adotado pelo Departamento de Estado para outras categorias de vistos.
A medida vale para os chamados vistos I, destinados a representantes da imprensa estrangeira, e também para as categorias TN e TD. O visto TN é concedido a determinados profissionais do Canadá e do México abrangidos pelo acordo comercial entre os três países, enquanto o TD é destinado a dependentes de portadores do TN.
De acordo com o Departamento de Estado, os solicitantes deverão ajustar as configurações de privacidade de todas as suas redes sociais para “público” ou “aberto”. A pasta afirma que utiliza todas as fontes de informação disponíveis durante a análise dos pedidos para verificar a identidade dos solicitantes e identificar pessoas que possam ser consideradas inadmissíveis nos Estados Unidos, inclusive por representar uma ameaça à segurança nacional ou à segurança pública.
“O recebimento de um visto dos Estados Unidos continua sendo um privilégio concedido a critério do governo, e não um direito”, afirmou o Departamento de Estado no comunicado que anunciou a ampliação da medida.
Como funciona a nova regra
O visto I é destinado a profissionais de veículos de comunicação estrangeiros, incluindo jornalistas de imprensa, rádio, televisão e outros meios. Para se enquadrar nessa categoria, o trabalho nos Estados Unidos deve estar relacionado à atividade jornalística e ser realizado em nome de uma organização de mídia sediada fora do país.
Já os vistos TN e TD abrangem profissionais qualificados de Canadá e México que trabalham temporariamente nos Estados Unidos e seus dependentes, respectivamente. Essas duas categorias foram incluídas na mesma rodada de ampliação da análise de presença on-line.
A verificação de redes sociais já era aplicada a outras categorias de vistos de não imigrante, incluindo estudantes e intercambistas, trabalhadores temporários e seus dependentes e algumas categorias diplomáticas, religiosas e de intercâmbio cultural. A partir de outubro, os solicitantes de I, TN e TD também passam a integrar esse grupo.
Mudanças para jornalistas
A exigência ocorre após outra mudança anunciada neste ano para profissionais de imprensa estrangeiros. Em julho, o governo americano propôs limitar a permanência de jornalistas com visto I a períodos determinados, substituindo a regra que permitia que permanecessem no país durante todo o período de suas atividades profissionais.
A medida, que deveria entrar em vigor em setembro, foi temporariamente bloqueada por um juiz federal antes de sua implementação. A decisão mantém o sistema anterior enquanto a disputa judicial prossegue.
O Departamento de Estado, por sua vez, vem ampliando gradualmente a análise da presença digital de solicitantes de visto. Em março, a pasta já havia incluído diversas outras categorias no procedimento de verificação on-line.
Segundo o governo americano, a análise de redes sociais faz parte de um processo mais amplo de triagem para determinar se o solicitante atende aos requisitos legais para receber o visto e se representa algum risco à segurança nacional ou à segurança pública.





