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EUA: Exército iraquiano “não demonstrou vontade de lutar” em Ramadi

Tropas do governo conseguiram retomar nos últimos dias uma parte do território ao leste de Ramadi. General iraquiano afirmou que EUA 'não fizeram nada' para ajudar seus homens

Por Da Redação - 25 maio 2015, 15h47

O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Ashton Carter, afirmou que o Exército iraquiano “não demonstrou vontade de lutar” para defender a cidade estratégica de Ramadi das mãos dos terroristas do Estado Islâmico (EI), em entrevista ao canal CNN nesta segunda-feira. “Eles tinham muito mais homens que o adversário, e mesmo assim recuaram”, acusou o americano.

A queda de Ramadi, capital da província de Anbar, localizada a 100 quilômetros de Bagdá, trouxe vários questionamentos sobre a estratégia não apenas do governo do primeiro-ministro Haider al-Abadi, mas também dos EUA, aliado iraquiano na luta contra o EI. Mais de 3.000 ataques aéreos da coalizão internacional liderada por Washington não impediram os jihadistas de continuar a reforçar seu “califado”, proclamado em junho do ano passado nos territórios conquistados no Iraque e na Síria.

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Para o influente general iraniano Ghassem Souleimani, os Estados Unidos “não fizeram nada” para ajudar seu Exército em Ramadi. Abadi também respondeu às críticas do governo americano: “Estou certo de que ele recebeu informações inexatas”, reagiu na BBC. O primeiro-ministro afirmou também que a cidade pode ser recuperada dentro de alguns dias, mas que as forças iraquianas precisam de mais apoio dos parceiros da coalizão internacional.

Alguns membros do Congresso americano, entre eles o senador republicano John McCain, pediram que o presidente Barack Obama autorizasse as tropas americanas a acompanhar as forças do Iraque no campo de batalha. No entanto, Carter afirmou que, por enquanto, os EUA continuarão a contribuir com ataques aéreos e com o fornecimento de equipamentos e treinamento às forças iraquianas, mas que Washington está monitorando a situação de perto. “Ataques aéreos são eficientes, mas nem eles nem nada que podemos fazer podem substituir a vontade de lutar dos iraquianos”, disse.

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Apesar da tomada de Ramadi na semana passada, o Exército iraquiano ainda controla a infraestrutura militar da região próxima à cidade. Milícias xiitas, forças de segurança do governo e combatentes tribais sunitas pró-governo lançaram uma ofensiva no sábado contra os insurgentes, que têm avançado para o leste em direção a uma base militar e conseguiram recuperar territórios. “Hoje [domingo] recuperamos o controle sobre Husaiba e estamos planejando fazer mais avanços para forçar ainda mais o recuo dos combatentes do Daesh”, disse o líder tribal local Amir al-Fahdawi, usando o acrônimo em árabe para o Estado Islâmico.

(Da redação)

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