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EUA: excursionistas libertados pelo Irã dizem ter sido ‘reféns’ do regime

Por Por Brigitte Dusseau 25 set 2011, 19h33

Os dois excursionistas americanos libertados após passarem dois anos presos no Irã, que os acusava de espionagem, revelaram este domingo que ficaram em “isolamento quase total” e foram mantidos “reféns” pelo regime iraniano por causa das históricas “disputas políticas” entre Teerã e Washington.

“O isolamento foi a pior experiência das nossas vidas”, declarou Josh Fattal, um dos excursionistas, a jornalistas em Nova York, ao retornar aos Estados Unidos com o amigo Shane Bauer.

“Estava claro para nós desde o começo que éramos reféns. Este é o termo mais preciso, já que apesar de um certo conhecimento sobre a nossa inocência, o Irã sempre ligou nosso caso às suas disputas políticas com os Estados Unidos”, afirmou.

“Nenhuma prova nunca foi apresentada contra nós, porque não existe, pois somos completamente inocentes”, disse Shane Bauer, que chamou de “farsa total” suas duas apresentações a uma corte iraniana.

Shane Bauer e Josh Fattal, que não tinham feito declarações públicas durante os 781 dias de detenção no Irã, concederam uma entrevista coletiva em Nova York, após desembarcarem no aeroporto John F. Kennedy, acompanhados de suas famílias.

Os dois jovens, de 29 anos, foram detidos junto com Sarah Shourd – namorada de Bauer – perto da fronteira montanhosa com o Iraque, em 31 de julho de 2009.

“Tivemos que fazer greve de fome várias vezes só para receber cartas dos nossos entes queridos”, contou Fattal. “Muitas vezes, vezes demais, escutávamos os gritos de outros presos espancados e não havia nada que pudéssemos fazer para ajudá-los”, acrescentou.

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Os três excursionistas sempre alegaram inocência frente às acusações de espionagem e afirmaram ter cruzado a fronteira com o Irã por engano.

“Sarah, Josh e eu experimentamos o gosto da brutalidade do regime iraniano”, disse Bauer. “Suportamos um isolamento quase total do mundo e de tudo o que amamos, despojados dos nossos direitos e liberdade”, acrescentou.

“A única explicação para a nossa prisão prolongada é a hostilidade mútua de 32 anos entre Estados Unidos e Irã. Fomos declarados culpados de espionagem porque somos americanos. Simples assim”, continuou Bauer.

Após deixarem, na quarta-feira, a prisão de Evin, no norte de Teerã, Bauer e Fattal passaram três dias com as famílias no sultanato de Omã, país que intermediou sua libertação.

Antes de deixarem Mascate, na noite de sábado, os dois excursionistas agradeceram mais uma vez ao sultão Qabus pelo papel que teve em sua libertação.

Fattal, Bauer e Sarah Shrourd foram detidos na fronteira entre o Iraque e o Irã, durante uma excursão nas montanhas do Curdistão iraquiano.

Bauer, jornalista independente, e Fattal, que trabalhava no setor ambiental, afirmaram a todo momento que cruzaram a fronteira por engano, mas em 21 de agosto passado foram condenados a oito anos de prisão por “entrar ilegalmente no Irã” e “espionagem”, sentença da qual apelaram.

Sarah Shourd, de 33 anos, havia sido libertada em setembro de 2010 por motivos médicos.

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