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EUA e Irã pausam ataques pelo 3º dia; Trump enfrenta ‘limites’ do Exército

Embaixador americano na ONU fala em 'criar margem' para negociação mas imprensa alerta para escassez de munições e ineficácia dos bombardeios

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 jul 2026, 10h01
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Os Estados Unidos suspenderam os bombardeios ao Irã pela terceira madrugada consecutiva nesta segunda-feira, 27, ao passo que o regime dos aiatolás afirmou que, enquanto não sofrer ataques, interromperá as suas “retaliações”. Embora a versão oficial seja que o presidente Donald Trump tenta abrir “um pouco de margem” às negociações, a imprensa americana reportou que a pausa veio após militares do alto escalão alertarem que a operação havia “atingido o limite de sua eficácia”.

Os preços do petróleo caíram mais de 6% nesta segunda, reagindo à pausa nas hostilidades, e voltaram a operar bem abaixo dos US$ 100.

O embaixador americano nas Nações Unidas, Mike Waltz, afirmou que Trump está “dando algum espaço aos diálogos, está lhes dando um pouco de margem”, mas advertiu que seu país segue “pronto” para atacar o Irã e que foram mobilizados mais recursos na região.

Teerã, por sua vez, reiterou que não está em negociações com Washington apesar da recente interrupção dos combates. “No momento, não estamos envolvidos em nenhuma negociação com os Estados Unidos”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, em uma entrevista coletiva semanal. Ele também negou que seu governo tenha solicitado a abertura de um diálogo.

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No entanto, o porta-voz do Exército iraniano anunciou no domingo que sua “retaliação” contra as monarquias do Golfo, aliadas dos Estados Unidos, seriam pausadas. “Nas duas últimas noites, os americanos detiveram seus ataques. Como nossa estratégia está baseada essencialmente na resposta, também interrompemos nossas operações”, declarou Mohammad Akraminia. Mas se os americanos “insistirem em continuar com a guerra, particularmente com ataques aéreos”, o conflito “se estenderá ainda mais”, acrescentou ele.

“Limites” da campanha militar

Segundo a imprensa americana, Trump está avaliando tanto opções diplomáticas quanto militares para o conflito, que já dura quase cinco meses. Na terça-feira, 28, Benjamin Netanyahu, desembarcará em Washington para a sua sétima visita à Casa Branca desde que o republicano retornou à Presidência, em 2025.

O primeiro-ministro israelense critica abertamente as negociações com líderes iranianos e tem pressionado os Estados Unidos a manterem os ataques contra o Irã, tema que deve ser abordado na reunião desta terça. No entanto, autoridades de alto escalão do governo americano informaram Trump recentemente de que os estoques de munição estão baixos, segundo o jornal The New York Times, o que poderia comprometer uma campanha militar mais prolongada no Oriente Médio.

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NYT acrescentou que a avaliação interna é que Trump se expõe ao risco de uma expansão da guerra, o distanciamento de aliados no Golfo e um impacto maior na economia mundial com a retomada dos ataques.

O portal de notícias Axios também noticiou no domingo 26 que o almirante Bradley Cooper, principal comandante militar dos Estados Unidos na região, comunicou o presidente de que a campanha militar americana havia “atingido o limite de sua eficácia”. Segundo a reportagem, essa mensagem teria influenciado a decisão de suspender os ataques, algo que não ocorria há quase duas semanas. Cooper informou ainda que o Exército americano havia praticamente esgotado a lista de alvos planejados no Irã e que, sem o retorno a operações de combate em grande escala, não faria sentido prosseguir com a campanha de bombardeios.

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Apesar disso, Trump negou que haja limites. Ele insistiu que “temos muito mais munição do que qualquer um no mundo, e muito mais do que precisamos”, em uma entrevista ao Wall Street Journal.

Negociações?

A trégua nos bombardeios, iniciada na noite da última sexta-feira, ocorre após quase duas semanas consecutivas de ataques contra o Irã e o colapso do frágil cessar-fogo assinado em 16 de junho. Washington responsabilizou Teerã pelo retorno às bombas, afirmando que apenas reagiu a ataques contra suas forças e aliados na região e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passam cerca de 20% do petróleo e gás consumidos no planeta.

A pausa reacendeu a esperança de uma retomada das negociações entre Washington e Teerã, paralisadas pelos combates em Ormuz. Aberto depois da assinatura do tratado provisório, que previa um ciclo de negociações de paz de 60 dias, o Irã voltou a fechar o estreito após a retomada das hostilidades. Nas últimas 24 horas, seis navios que tentaram cruzar esta passagem marítima foram detidos, reportou a TV estatal iraniana.

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