EUA e Irã avaliam estender cessar-fogo por mais duas semanas, diz agência
Casa Branca disse estar discutindo a realização de uma segunda rodada de negociações de paz com o Irã no Paquistão
Os Estados Unidos e o Irã estão considerando uma extensão de duas semanas no cessar-fogo para permitir mais tempo para negociar um acordo de paz, disse uma pessoa familiarizada com o assunto à agência de notícias Bloomberg, nesta quarta-feira, 15. A medida teria objetivo de reduzir a possibilidade de um retorno aos combates, apesar da crescente tensão no Estreito de Ormuz.
Fontes ouvidas pela agência Reuters também indicam avanços dos mediadores em direção a uma eventual extensão do prazo previsto. As duas partes buscam diálogos técnicos para superar as questões mais controversas que impedem um acordo que se estenda além da próxima semana, quando a trégua inicial expira.
Nesta terça, a Casa Branca disse estar discutindo a realização de uma segunda rodada de negociações de paz com o Irã no Paquistão, expressando otimismo quanto a possibilidade de um acordo.
“Essas discussões estão em andamento” e “estamos confiantes quanto às perspectivas de um acordo”, disse a secretária de imprensa Karoline Leavitt a jornalistas, acrescentando que novas negociações “muito provavelmente” ocorrerão em Islamabad.
Pontos de divergência giram principalmente em torno do programa nuclear iraniano e do controle da República Islâmica sobre o Estreito de Ormuz — rota por onde passa 20% do petróleo mundial, fechada para navios não alinhados ao Irã desde o início do conflito.
Em meio ao impasse, o presidente americano, Donald Trump, acionou a Marinha americana para fazer Teerã pagar na mesma moeda, bloqueando o acesso à passagem para embarcações iranianas, bem como barcos de qualquer nacionalidade que passem pelos portos da nação persa. Mais de uma dúzia de navios de guerra está posicionada no Golfo de Omã e no Mar Arábico para garantir a efetividade do bloqueio, uma frota que pode contar com reforços em breve.
Na terça-feira, Trump chegou a sugerir que a próxima rodada de negociações sobre o cessar-fogo poderia acontecer “nos próximos dois dias”. O republicano deu a entender que conversas para uma nova reunião estão em andamento e se mostrou insatisfeito com posições tomadas por negociadores americanos durante as fracassadas tratativas do final de semana.
Falando por telefone com um repórter do NY Post em Islamabad, Trump inicialmente afirmou ser pouco provável que novas negociações ocorressem no Paquistão após a falta de sucesso anterior. No entanto, o presidente ligou minutos após o encerramento da primeira conversa, aconselhando os jornalistas a permanecerem em território paquistanês, pois algo poderia acontecer nas próximas 48 horas.
“Deveriam ficar ali, de verdade, porque algo poderá acontecer nos próximos dois dias e estamos mais inclinados a ir para lá”, disse Trump. “É mais provável, sabe por quê? Porque o Marechal de Campo está fazendo um ótimo trabalho”, completou, em elogio ao chefe do exército paquistanês, Asim Munir, um dos responsáveis pela mediação entre Washington e Teerã.
Trump também manifestou insatisfação com informações de que os negociadores dos Estados Unidos, liderados pelo vice-presidente J.D. Vance, propuseram ao Irã uma suspensão de seu programa de enriquecimento de urânio por duas décadas. “Eu venho dizendo que eles não podem ter armas nucleares”, disse, “então não gosto dos 20 anos”.
Após 21 horas de negociações em Islamabad no domingo, 12, as conversas entre EUA e Irã terminaram sem qualquer acordo, frustrando ambas as partes. De acordo com Vance, os negociadores iranianos se negaram a aceitar os termos “bastante flexíveis” propostos por Washington. Já o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Ghalibaf, líder da delegação iraniana no encontro, apontou que os americanos não conseguiram conquistar a confiança de Teerã.
Para o tenente-general paquistanês Muhammad Saeed, envolvido diretamente nas negociações, Teerã apresentou “flexibilidade” no que diz respeito à questão do enriquecimento de urânio — embora tal postura tenha um preço. “O Irã precisa ser capaz de levar algo de volta ao seu povo que não pareça uma rendição”, disse Saeed.





