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EUA e Cuba se reúnem para acelerar reabertura de embaixadas

Representantes dos dois países disseram, após o encontro em Washington, que um acordo diplomático está muito próximo de acontecer

Por Da Redação 21 Maio 2015, 17h11

Representantes dos governos de Estados Unidos e Cuba se reuniram nesta quinta-feira em Washington para acelerar a reabertura das embaixadas nos dois países, fator primordial para que haja um entendimento pleno entre as nações. Segundo o jornal The New York Times, o processo poderá ter um desfecho positivo muito em breve. “Eu estou tentando evitar um otimismo exacerbado. Mas acredito que estamos mais próximos do que nunca. As duas partes estão se reunindo com um desejo de concluir esta etapa”, disse um funcionário do Departamento de Estado americano familiarizado com as discussões, em condição de anonimato.

Washington, no entanto, precisa obter garantias de que Cuba cumprirá determinados requerimentos antes de selar um acordo. O país espera que a ditadura castrista dê total liberdade aos diplomatas americanos para andar pela ilha e falar com quem eles bem entenderem. Havana também deverá assegurar que suas autoridades não bisbilhotarão os carregamentos da representação americana e que os visitantes da embaixada não serão intimidados pela polícia local. Gustavo Machin, um diplomata cubano que participa das reuniões, afirmou que não enxerga “obstáculos, mas assuntos que precisam ser resolvidos e discutidos”.

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Os principais empecilhos que Havana impunha às negociações já foram superados pelos Estados Unidos. Cuba será oficialmente retirada da lista de países que financiam o terrorismo na próxima semana, quando se encerrará o prazo de 45 dias que o Congresso tinha para revisar a decisão anunciada pelo presidente Barack Obama em abril. Diplomatas cubanos também conseguiram, com o auxílio do Departamento do Tesouro americano, que um pequeno banco na Flórida crie uma conta para o país e administre os seus interesses nos Estados Unidos.

Um ponto de divergência que pode atrapalhar a relação entre os países diz respeito a um programa que os Estados Unidos mantêm em zonas de interesse para treinar jornalistas independentes e lecionar as práticas básicas da profissão. O ditador Raúl Castro afirmou que um procedimento desta natureza será considerado “ilegal” em Cuba, uma vez que toda a imprensa do país é rigorosamente controlada pelo regime comunista. O Departamento de Estado americano defendeu o treinamento, afirmando que o programa é oferecido “ao redor de todo o mundo”.

As embaixadas nos dois países estão fechadas desde janeiro de 1961, quando o presidente americano Dwight Eisenhower rompeu as relações diplomáticas com Cuba. A medida foi adotada em resposta a uma demanda do então ditador Fidel Castro, que desejava reduzir drasticamente o número de funcionários da representação americana. Fidel acusava os diplomatas de operar um posto de espionagem na embaixada para conspirar contra o regime comunista instalado na ilha após a Revolução Cubana de 1959. Em 1977, durante um período de pouca hostilidade, as nações concordaram com a abertura de “seções de interesse” em suas respectivas capitais. As áreas não contam com embaixadores, possuem atividade diplomática limitada e, tecnicamente, são administradas sob a supervisão da Suíça.

(Da redação)

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