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EUA e Alemanha pressionam Rússia para aprovar resolução sobre a Síria

Por Da Redação - 4 fev 2012, 09h32

Munique (Alemanha), 4 fev (EFE).- Os Estados Unidos e a Alemanha redobraram neste sábado suas pressões para que o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprove uma resolução sobre a Síria, enquanto a Rússia segue exigindo modificações do texto.

O debate entre os chanceleres destes três países aconteceu no segundo dia da Conferência de Segurança de Munique (MSC), o ‘Davos’ de política externa e Defesa, que até domingo reúne dezenas de ministros, militares, empresários e especialistas da área de mais de 70 países.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, instou ao Conselho de Segurança que aprove com urgência uma resolução que ‘expresse a vontade da comunidade internacional’, o que atraiu aplausos da audiência.

Hillary exigiu o fim do ‘derramamento de sangue’ que acontece na Síria, um país no qual o regime de Bashar Al Assad ‘tiraniza sua própria gente’, e defendeu um ‘futuro democrático’ para os sírios.

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O ministro das Relações Exteriores alemão, Guido Westerwelle, afirmou, como membro não-permanente do Conselho de Segurança, que é ‘necessário’ aprovar esta resolução e considerou que os encontros bilaterais realizados durante a MSC poderiam facilitar o consenso final.

‘É tempo de uma declaração comum sobre a Síria. Não podemos esquecer que enquanto nós nos acertamos, há pessoas que estão perdendo a vida’, declarou.

Já o chanceler russo, Sergey Lavrov, reiterou em seu discurso a exigência de Moscou de que a resolução do Conselho de Segurança da ONU condene também a violência dos militares rebeldes.

‘A proposta de resolução condena a violência do Exército sírio, mas deve condenar também a violência exercida pelos militares rebeldes’, afirmou Lavrov, que criticou a atuação do Exército Livre Sírio (ELS).

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O chanceler russo indicou que na minuta de resolução que está sendo estudada em Nova York são detalhadas ‘reivindicações muito específicas’ para o regime de Assad, mas não para os militares rebeldes que também recorrem à violência contra civis e edifícios governamentais.

Além disso, Lavrov considerou que também é preciso modificar na resolução o plano indicado para desenvolver o denominado ‘diálogo nacional’, que segue o calendário proposto pela Liga Árabe, ao considerar que é não adequado e sua aplicação é difícil.

‘Não é que esta resolução não tenha futuro. Mas devemos modificar estes dois problemas’, acrescentou.

O ministro também desdenhou das críticas contra a Rússia por bloquear o aumento da pressão internacional contra o regime sírio no Conselho de Segurança, após dez meses de protestos e cerca de 6 mil mortes, segundo os cálculos das Nações Unidas.

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‘Não somos amigos nem aliados de Assad. Nós apoiamos a chamada por mudança do povo sírio’, declarou Lavrov, que em seguida falou dos conceitos de não ingerência em assuntos internos e de diálogo sem requisitos prévios.

A escalada da violência na Síria e o programa nuclear iraniano foram foco da atenção dos participantes da MSC, que também discutem as sombrias consequências da crise, que obrigou os EUA e a Europa a cortar seus orçamentos em Defesa, tentando manter ao mesmo tempo sua influência militar global e seus padrões de segurança.

O secretário de Defesa americano, Leon Panetta, também presente na reunião, acrescentou que os cortes buscam um Exército mais reduzido, mas ao mesmo tempo mais eficiente, inteligente e flexível, que seguirá sendo ‘o mais poderoso do mundo’ para continuar defendendo ‘os interesses nacionais e de seus aliados’.

A MSC, uma iniciativa privada com 48 anos de trajetória, reúne desde sexta e até domingo dezenas de ministros, militares, empresários e especialistas em defesa e segurança de mais de 70 países.

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A agenda desta edição da MSC, uma iniciativa privada com 48 anos de trajetória, está centrada no programa nuclear iraniano, a revolução síria, o conflito entre israelenses e palestinos, a segurança energética global, e a posição da Europa no contexto internacional do ponto de vista da crise e da decolagem asiática capitaneada pela China. EFE

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